CRITÉRIOS PARA A SELEÇÃO DE CONTEÚDOS

Eleição de conteúdos a partir de temas de estudo

Os estudantes, com freqüência apresentam dificuldades em estabelecer relações entre os conteúdos da ciência escolar e situações da vida cotidiana. Uma das formas de enfrentar tal situação é a organização dos conteúdos em torno de temas, vinculados à vivência dos estudantes ou ao universo cultural da humanidade, o que estamos chamando de contextos de significado (APEC, 2003).

Integração dos saberes disciplinares:

Esse critério é importante na superação da fragmentação com que vêm sendo tratados os conteúdos. Nessa perspectiva é importante estabelecer diálogos e conexões entre as abordagens de conteúdos químicos, físicos e biológicos, sem nos esquecermos das dimensões históricas, dos aspectos éticos e dos interesses diversos que estão por trás do conhecimento científico.

Verticalização dos conteúdos:

Ao introduzir um assunto novo é desejável fazê-lo primeiro de um modo mais geral e qualitativo e depois caminhar para uma verticalização conceitual em nível crescente de complexidades. O tratamento interdisciplinar não é um critério exclusivo e seletivo para o desenvolvimento do currículo. Há especificidades que precisam ser observadas e enfrentadas como conhecimentos disciplinares.

 
 


Relevância dos conteúdos:

O ensino da química precisa ter uma forte inserção em questões da vida cotidiana e também em questões que envolvem segurança pessoal e social. Não podemos nos esquecer que lidamos com jovens em momentos importantes da formação intelectual e moral da vida deles e que, juntos com a família e com a sociedade em geral, somos co-responsáveis pelos sujeitos que estamos formando. Cabe lembrar que grande parte da vida deles é passada no âmbito da escola, o que nos imprime uma maior responsabilidade como formadores.

Recursividade dos conteúdos:

   
 

A recursividade é um instrumento de promoção da aprendizagem e do desenvolvimento progressivo do estudante em seus processos de socialização. A abordagem de certos conteúdos feita de modo recursivo permite o tratamento de conteúdos em diferentes níveis de complexidade e em diferentes contextos, ao longo do processo de escolarização. Dando oportunidade para aqueles que ainda não aprenderam, aprender e para aqueles que já aprenderam alargarem suas construções conceituais e explicativas em novos contextos de aprendizagem.

Começo, meio e fim:

Todo conteúdo a ser eleito precisa estar circunstanciado na história daqueles alunos de modo que não terminem a educação básica com um pedaço de informação que não foi pensada na sua totalidade. Há que se eleger os conteúdos com base nas necessidades formativas dos estudantes, dos tempos e espaços escolares, entre outros.

A orientação do programa de Química, cujo eixo central é “Materiais, Vida e Energia”, está sugerida com base em quatro temas:

1. Como são os materiais e substâncias em nossa vida.
2. Interações, quantidades e a organização das substâncias.
3. Padrões de comportamento entre substâncias.
4. Como os materiais afetam a nossa vida e como atuamos sobre eles.

Nossa intenção, ao anunciarmos os temas dessa forma é estimular uma visão mais ampla e flexível para as abordagens de ensino de modo que a contextualização da Química fique assim, potencializada.

Na seqüência, desdobrando os temas, apresentamos os sub-temas. Para cada sub-tema apresentamos quadros que dispõem os tópicos correspondentes e suas respectivas habilidades básicas.

O programa de Química do CBC, que ora apresentamos em sua terceira versão, dispõe os tópicos originais de conteúdo em básicos e complementares.

 
 

Esta configuração final é decorrente da análise dos resultados de discussões com os professores participantes do Programa de Desenvolvimento Profissional de Educadores (PDP), organizado e mantido pela SEE/MG, ao longo do ano de 2004; e, também, pelo Fórum de Discussão disponibilizado pela SEE/MG, no Centro de Referência Virtual (CRV), em 2005, sobre o programa apresentado na segunda versão.

Para estruturar esta proposta respeitamos as sugestões mais indicadas pelos professores quanto à escolha dos tópicos que deveriam ser mantidos como básicos.

   
 
Examinamos, minuciosamente cada sub-tema, seus tópicos e habilidades para categorizá-los e re-avaliarmos sua pertinência e abrangência nesta proposta. Conseqüentemente, algumas denominações foram alteradas e alguns conteúdos deslocados de tópico, sem comprometer os seus pré-requisitos.

O acesso ao estudo da Química pelos estudantes se dá prioritariamente por meio da compreensão de sua linguagem específica e do reconhecimento dos códigos e símbolos associados. Por isso é significativa a decisão de não abrir mão dessa aprendizagem. Assim, temos:

Tema 1 – Como são os materiais e substâncias em nossa vida – está presente a estruturação dessa linguagem básica, incorporada a tópicos que favorecem a familiarização dos estudantes com os materiais e substâncias que estão por toda parte, sob o ponto de vista dessa ciência.

Tema 2 – Interações, quantidades e a organização das substâncias - apresenta uma consideração mais focalizada no comportamento desses materiais e substâncias. Portanto, não resta dúvida que um estudante de ensino médio de Química precisa procurar aprender sobre o que são reações químicas, suas representações e aspectos gerais envolvidos.

Tema 3 – Padrões de comportamento entre as substâncias - apresenta tópicos que evidenciam para os estudantes as regularidades e leis que regem os fenômenos e fatos relacionados à Química, que eles observam no cotidiano e que são descritos na vida escolar.

Tema 4 – Como os materiais afetam nossa vida e como atuamos sobre eles - são apresentados alguns tópicos para desenvolver a compreensão de como o ser humano interage com os materiais e substâncias. Isso é feito por meio da abordagem de aspectos sobre como o uso que fazemos da Química afeta a vida de todos.

 

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