DEFININDO METAS PARA A APRENDIZAGEM




Os conhecimentos prévios dos estudantes e a aprendizagem escolar

A questão dos objetivos de aprendizagem pode ser colocada em termos das diferenças entre o que os estudantes já sabem sobre determinado tema e o que gostaríamos que eles passassem a saber depois do ensino. Essa diferença entre os conhecimentos prévios dos estudantes e os conhecimentos da ciência (ou das artes) que nos propomos a ensinar é o que nos dá condições de estabelecer metas para o ensino.

 
 

Algumas vezes os alunos apresentam conhecimentos prévios em sintonia com o conhecimento a ser ensinado, mas apresentam noções ainda intuitivas, não formalizadas e tampouco generalizadas. Isso acontece em alguns tópicos de ensino de linguagem: por exemplo, os alunos podem saber fazer uma concordância entre sujeito e predicado em períodos curtos, mas não têm consciência disso e falham ao fazê-lo em períodos compostos. O mesmo ocorre com alguns temas da matemática, como a geometria e os sistemas de numeração. Nesses casos, o ensino pode se apoiar no “saber fazer” dos alunos e ter como meta formalizar e generalizar tais conhecimentos.
 
 

Outras vezes, os conhecimentos prévios dos estudantes estão em desacordo com o conhecimento a ser ensinado e podem inclusive constituir obstáculos à aprendizagem. Nas Ciências Naturais isso ocorre com alguma freqüência: é comum os alunos pensarem que as plantas se alimentam de modo semelhante aos animais, retirando seus alimentos diretamente do solo. Entretanto, o conhecimento biológico sobre nutrição vegetal é bem distinto disso: as plantas produzem seus alimentos pela fotossíntese, a partir da matéria que extrai do ar (gás carbônico) e do solo (água e sais minerais) e da energia proveniente da luz solar. Na Geografia, de modo semelhante, costuma-se representar a Terra como um bloco maciço, o que evidentemente tem conseqüências no modo como os alunos interpretam informações relativas às placas tectônicas. Pensar no ensino desses tópicos de conteúdo envolve considerar não apenas o ponto de chegada (a ciência que queremos ensinar), mas também o ponto de partida dos estudantes e as estratégias para conduzir uma mudança no modo de examinar o problema.
 
 
Ocorre, ainda, que certos conteúdos escolares não tenham paralelo na vida cotidiana. Os alunos nunca pensaram sobre ondas eletromagnéticas ou sobre a revolução industrial na Europa ou leram qualquer obra ou análise literária relacionada ao surrealismo. Entretanto, mesmo nesses casos, a aprendizagem desses tópicos irá se basear em idéias e conceitos a eles relacionados: o que são ondas?; o que é uma “revolução”?; como uma obra literária se relaciona com o tempo e a sociedade em que foi produzida?
 
 
 
Finalmente, fazem parte dos “conhecimentos prévios” dos estudantes não apenas os conhecimentos cotidianos ou intuitivos, mas também alguns conhecimentos escolares. Nesse caso, ao planejar o ensino de um tópico devemos nos perguntar: em que base se assenta uma abordagem desses conteúdos?; o que os alunos já sabem a esse respeito?. Freqüentemente, professores se queixam que não podem ensinar certos conteúdos, pois os alunos não apresentam os pré-requisitos necessários. Nesse caso, o planejamento do ensino deve reconhecer e considerar essas lacunas na proposição de metas e estratégias para a aprendizagem.
 

Página anterior Conceito