ESTUDO INDIVIDUAL


Pensando nos Fins e nos Meios


Artigo 30: “Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.
Artigo 30 da nossa Constituição Federal
 
 
Como educadores temos que pensar no tipo de homem que queremos for-mar e na sociedade que queremos ver florescer no Brasil. Para isso, podemos partir dos ideais de liberdade e de solidariedade que inspiraram a Constituição Federal. O artigo 30 da nossa Constituição expressa uma visão de Brasil que, sem dúvida, é compartilhada pela maioria dos brasileiros. Como construir essa sociedade desejada por todos? Essa pergunta nos remete à questão do papel que a educação pode ter na construção de uma sociedade democrática e socialmente justa.

Hoje há um consenso, entre os especialistas, que uma educação escolar de qualidade acessível a todos os segmentos da população é condição necessária, apesar de não suficiente, para a diminuição significativa das desigualdades sociais e para a promoção de uma sociedade próspera e solidária. Pesquisas têm também mostrado que a melhoria da qualidade da educação depende de vários fatores, sendo o trabalho do professor o fator mais importante e decisivo.
 
 

Assim, esse módulo foi elaborado visando trazer uma reflexão sobre as possibilidades que o professor tem para oferecer aos seus alunos uma educação que vá do bom ensino do conteúdo disciplinar e que ajude os alunos a desenvolverem atitudes e a cultivarem valores sintonizados com os ideais da sociedade que almejamos. estamos propondo aqui uma receita ou um caminho único a ser seguido, estamos sugerindo uma “bússola” para ajudar cada professor a encontrar o seu caminho, aquele que é mais adequado à sua realidade e a suas necessidades. Perguntas tais como: que saberes e competências precisam ser aprendidos pelos jovens para que possam participar plena e ativamente da vida social? Que atitudes e valores deveriam ser desenvolvidos pela escola para que os jovens aprendam a participar de forma responsável, e solidária da sociedade? Respostas a questões como essas é que determinam as escolhas quanto aos recursos didáticos e aos modos de utilizá-los.
   
 


Assim, neste módulo, estamos entendendo por condições de ensino todos os meios, recursos que um professor pode para planejar e desenvolver as suas atividades pedagógicas. Portanto, as condições de ensino incluem os procedimentos didáticos, materiais e recursos curriculares tradicionais da chamada educação formal; e os recursos disponíveis e materiais encontrados no âmbito da chamada educação não-formal.

Os procedimentos e os recursos materiais da educação formal da aula expositiva, do trabalho em grupo, do livro texto aos equipamentos de laboratório, passando pelo quadro-negro, retroprojetor, vídeo, até os softwares educacionais modernos.

 
 


Por outro lado, recursos e materiais da educação não-formal incluem todos os meios de informação e de cultura disponíveis na sociedade tais como revistas, jornais, vídeos, filmes e os chamados equipamentos culturais: biblio-tecas públicas, museus, parques e temáticos, zoológicos. Os serviços como Internet e locais de interesse como as indústrias, os teatros e as exposições fazem, também, parte deste arsenal da educação formal que pode ser mobiliza-do pela escola e pelo professor para atingir os seus objetivos educacionais.

Contudo, a seleção dos recursos didáticos depende não só da clareza de nossos propósitos educacionais, da compreensão das transformações que se processam na sociedade e cultura contemporâneas, das competências que queremos desenvolver nos jovens. Essa seleção depende, ainda, do que sabemos sobre os interesses, os conhecimentos prévios e as habilidades dos alunos que chegam às escolas públicas.

   
 

Podemos afirmar, com certo grau de certeza, que esses alunos são muito heterogêneos em relação ao nível de conhecimento, pois provém de ambientes socioculturais variados, gerando, em conseqüência, uma grande diversidade de interesses e de experiências.

Apesar disso os recursos e métodos e a maneira de utilizá-los no ensino tem sido tradicionalmente muito uniformes e pouco diferenciados. O desafio é como garantir diversidade de meios e métodos para adequar alunos diferentes?

Isso significa que se desejamos contribuir para a formação geral do aluno e construir uma escola para todos, devemos pensar em uma prática pedagógica capaz de abarcar uma gama de interesses e conhecimentos prévios. Para isso, é importan-te planejar um curso que seja atraente a todos os alunos. Nessa perspectiva, deve-mos adotar grande número de estratégias de ensino que levem em conta também a diversidade de necessidades e de estilos de aprendizagem.

 
 


Conseqüentemente, quanto maior for o número de recursos que o professor souber mobilizar e utilizar na sua estratégia de ensino, maior será sua chance de sucesso. Portanto, isso requer do educador um planejamento pedagógico cuidadoso, que comece pela clarificação dos objetivos educacionais, passando pela seleção das idéias importantes do conteúdo e das habilidades a serem desenvolvidas. Lembrando também quais são os interesses e dificuldades dos alunos e como se dá o processo de aprendizagem, o professor terá os elementos fundamentais para selecionar e organizar as condições de ensino.

 
 


Por outro lado, não podemos esquecer que a escola tradicionalmente exerce sua ação pedagógica através de rituais de transmissão de conhecimentos, privilegiando estratégias verbais, para todas as disciplinas. Muitos professores têm procurado introduzir outros meios, como: o filme, as imagens de um modo geral, a música, a prática laboratorial, assim como a integração de outros espaços culturais nas atividades curriculares, visando superar o verbalismo das práticas escolares tradicionais. No entanto, nem sempre tem tido conhecimento dos pressupostos a respeito de como os alunos aprendem e das especificidades de cada um desses recursos, sobretudo, quanto às competências e habilidades requeridas para a leitura de cada um deles.

Atualmente, considera-se que a participação ativa do sujeito é condição necessária para construção do conhecimento para que haja aprendizagem. No entanto, a aprendizagem é um processo individual que tem um forte componente social. De acordo com Vygotsky, a cultura, as interações sociais têm um papel importante nesse processo e ao professor cabe o papel de potencializar as capacidades de aprendizagem dos alunos

 
         
Página anterior O Livro didático