A EDUCAÇÃO NÃO-FORMAL E AS REDES COTIDIANAS DE CONHECIMENTO


A educação não-formal torna-se ainda mais relevante quando lembramos que, no chamado período industrial, a educação escolar era suficiente para toda a vida. Hoje, ao contrário, os conhecimentos ficam superados rapidamente e a educação continuada torna-se um imperativo da vida contemporânea. A rapidez nas mudanças exige que a escola promova os novos saberes também em um tempo muito curto.
 


Nesse contexto, vários espaços têm como meta suprir a carência de conhe-cimentos requeridos pelos tempos atuais. A sociedade busca satisfazer-se por rentes meios e formas que vão da imprensa escrita, falada, televisiva até os “sites” especializados da Internet, passando por uma gama de espaços como museus e centros culturais de todos os tipos. Todos esses meios abrem crescentemente mais espaço para a formação humana e a divulgação de novos conhecimentos.

 

   
 

Tanto o leigo como o especialista encontra uma imensa diversidade de fontes de informação capaz de atender a qualquer área de conhecimento em qualquer nível de profundidade. Daí a possibilidade de ampliar as relações entre a educação formal e a não-formal, aumentando a interação entre elas e gerando, portanto, as chamadas redes cotidianas de conhecimentos. A participação dos indivíduos nessa rede de conhecimentos é condição necessária para formação da cidadania, precondição para construção de uma sociedade mais democrática e menos excludente.

Assim sendo, a necessidade de incentivar a educação continuada dos adultos e a democratização do acesso à cultura tem feito crescer o número e a importância desses espaços educacionais e culturais, inclusive porque são, também, fontes de emprego e renda para milhões de pessoas. Assim, os museus e a Internet, contextos não-formais de educação, podem interagir com a educação formal, tecendo mais um pedaço dessa rede de conhecimento em que a escola deve ser um nó importante.

 

 
 
Mas, explicitemos melhor o que entendemos por educação formal e não-formal. É consensual chamar de educação formal aquela que ocorre dentro do âmbito escolar, direcionada, estruturada, sistematizada e com avaliações formais. A educação formal é destinada principalmente a um grupo de pessoas que tem idade ou desenvolvimento cognitivo semelhante. Tradicionalmente ela é centrada no professor, cabendo a ele transmitir os conhecimentos.

Por outro lado, na educação não-formal os conteúdos são livres e com um menor grau de estruturação. Ela é dirigida a grupos cujos participantes têm interesses comuns, entretanto podem se diferenciar pela faixa etária ou pelo grau de desenvolvimento cognitivo. A aprendizagem é mais centrada no aprendiz e é mais compartilhada, já que o conhecimento não está centrado no professor, mas na relação do aprendiz com os objetos e com os outros participantes.

   
 
O desafio hoje é conectar, em rede, esses dois espaços de educação, uma vez que o processo educacional não se encerra com o fim do período de educação formal. Por isso, ambientes como museus, jardins botânicos, zoológicos, centros de ciência, unidades de conservação, parques podem tornar-se fontes importantes para ampliação cultural e de educação, tanto da população como dos alunos de nossas escolas. Outros espaços como: fábricas, estações de tratamento de água e de lixo, centros de pesquisa, usinas de produção de energia, fazendas-modelo devem também ser incorporados nessa rede, como recursos que o professor pode dispor para o desenvolvimento das atividades curriculares de seu programa de curso. Isso posto, neste módulo discutimos como usar, de maneira eficaz, na nossa prática educativa, alguns meios que consideramos mais importantes na chamada educação formal: o livro didático e a aula expositiva. Vamos discutir agora os meios mais relevantes da chamada educação não-formal: os espaços culturais.
 

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