DIRETRIZES NORTEADORAS PARA O ENSINO DE GEOGRAFIA


A primeira propõe a valorização e o resgate das práticas socioespaciais, espaço-culturais e ambientais do educando, buscando nelas os referenciais explicativos para a ampliação, aprofundamento e compreensão do espaço geográfico em mutação. Esta diretriz encontra fundamentação na contextualização sociocultural proposta como parte das competências gerais da área de Ciências Humanas.

 
 
A segunda diretriz diz respeito à construção de um pensamento que passa, progressivamente, do simples ao complexo, substituindo um pensamento que isola e separa por um pensamento que distingue e une, como afiança Morin (1999). Essa forma de entender o ato de aprender e produzir conhecimentos, desenvolvendo o pensamento complexo do educando e dos educadores, é assim esclarecido: “apreender o significado de um objeto ou de um acontecimento é vê-lo em suas relações com outros objetos ou acontecimento; os significados constituem, pois, feixes de relações; as relações entretecem-se, se articulam em teias, em redes, construídas social e individualmente em permanente estado de atualização” (MACHADO, 1995).

 
 
Em verdade, na tradição pedagógica, a abordagem dos fatos e fenômenos da realidade socioespacial se dá de forma fragmentada e descolada das experiências significativas do educando, isto é, sem considerar os contextos culturais, ambientais, políticos e econômicos. Parte-se do pressuposto de que, mais tarde, ele seja capaz de correlacioná-los e enredá-los de forma contextualizada, recompondo e estabelecendo conexões entre idéias, fatos, conceitos, princípios. O que nem sempre vem acontecendo, como revelam as avaliações de desempenho. Uma das alternativas para a exercitação do pensamento complexo está no âmbito de uma abordagem contextualizada propiciada pelo enfoque globalizador. Uma das formas de operacionalizá-lo é o desafiante exercício da interdisciplinaridade.

Na direção desse desafio, propõe-se uma nova forma de entender o processo do conhecimento usando a metáfora da rede. É importante relacionar o entendimento do conhecimento em rede com o princípio anterior, o de que o educando constrói modelos explicativos da realidade em sua dimensão geográfica, em que ele próprio é integrante da rede dessas aprendizagens relevantes, que devem ser consideradas matéria-prima dos cotidianos pedagógicos. Esse princípio busca também considerar o campo de competências gerais que desenvolvem a representação e a comunicação.
 
 


A terceira diretriz propõe uma nova abordagem dos conteúdos geográficos através de sua organização em um Eixo Integrador, do qual serão desdobrados os Eixos Temáticos e os Temas. Estes, por sua vez, traduzirão os fenômenos da realidade socioespacial contemporânea, contextualizados a partir da (re) construção dos conceitos de Território, Lugar, Paisagem, Rede e Região.

A quarta diretriz norteadora se sustenta no campo das competências gerais de investigação e compreensão. Corresponde ao desafio da transposição didática das três diretrizes anteriores para o cotidiano pedagógico escolar.

 
 
 
A quinta diretriz refere-se à avaliação formativa e aos indicadores de competências construídas. As atividades são situações educativas planejadas pelo professor para que as aprendizagens se desenvolvam como processo de construção de conhecimentos, diferentemente de métodos tradicionais, que apresentam idéias prontas, acabadas. Essas atividades são, ao mesmo tempo, instrumentos de avaliação, pois permitem o levantamento de dados sobre o processo de aprendizagem e a autonomia do aluno no ato de compreender como se aprende.

As diretrizes curriculares apresentam orientações teóricas e sugestões que evidenciam e ressignificam práticas já usuais nas escolas. Para tanto, os Eixos Temáticos e os Temas tomam como referência:
 
 


_ a investigação dos fenômenos socioespaciais;
_ a dimensão interdisciplinar;
_ e a avaliação formativa (AF).
 

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