| CONTEÚDO CURRICULAR Para enriquecer o CBC, cada escola deverá definir também
os conteúdos complementares para atender às
necessidades e aos interesses dos alunos, observadas as condições
da escola e as características locais e regionais da comunidade
onde está inserida. |
|
|||
| Segundo Zabala (1998), competência é a capacidade de o sujeito mobilizar saberes, conhecimentos, habilidades e atitudes para resolver problemas e tomar decisões adequadas. Habilidade, por sua vez, está relacionada ao saber fazer. Assim, os conteúdos das disciplinas deixam de ter um fim em si mesmo e se tornam meios para o aluno desenvolver competências e habilidades que necessita para viver e atuar como cidadão em um mundo globalizado e complexo, intervindo nessa realidade de forma crítica e criativa. Em outras palavras, é por meio dos conteúdos e do tratamento dado a eles que ocorre a construção e o desenvolvimento das competências. Zabala (1998) também nos ajuda a ampliar nossa compreensão
sobre os conteúdos de ensino ao discutir suas três naturezas:
procedimental, atitudinal e conceitual. |
||||
• Atitudinal: conteúdos relacionados à aprendizagem de valores (princípios ou idéias éticas), atitudes (predisposições relativamente estáveis para atuar de determinada maneira) e normas (padrões ou regras de comportamento segundo determinado grupo social). Esses conteúdos são configurados por componentes cognitivos (conhecimentos e crenças), afetivos (sentimentos e preferências) e de conduta (ações e intenções). Exemplos: respeito ao colega, cooperação, autonomia, solidariedade, adoção de hábitos saudáveis. Assim, aprende-se uma atitude quando a pessoa pensa, sente e atua de forma coerente diante uma situação concreta. |
||||
• Conceitual: conteúdos relacionados a conceitos ou idéias-chave presentes na base da construção da identidade das ações pedagógicas. São informações e fundamentos básicos para a aprendizagem dos porquês, da importância, dos limites e possibilidades das vivências corporais. São exemplos desses conteúdos os conceitos de corpo, organismo, saúde, esporte, técnica, tática, qualidade de vida e beleza. A aprendizagem desses conteúdos não se mostra apenas quando o educando repete a definição do conceito, mas quando é capaz de utilizá-lo para a interpretação, compreensão, exposição, análise ou avaliação de uma situação. Os conceitos são dinâmicos, evoluem historicamente com o avanço nas construções de saberes de cada área de conhecimento. Por isso, sempre podemos ampliar ou aprofundar saberes, tornando-os significativos. Desse modo, quando adotamos a discussão dos conteúdos considerando suas três naturezas, sem desarticulá-las, estamos superando a compreensão de conteúdos curriculares como mera listagem de atividades com um fim em si mesmo. Ao contrário, estamos compreendendo esses conteúdos como meios de instrumentalizar os alunos para resolver problemas e tomar decisões acertadas ao longo da vida. |
||||
Sobre lazer é importante destacar que muitos autores (Marcellino, 1987; Melo e Aves Jr, 2003; Mascarenhas, 2003; dentre outros), o consideram como um fenômeno fruto da modernidade e das relações que se estabeleceram entre o tempo de trabalho e o tempo do não-trabalho. Grosso modo, podemos considerar que antes da Revolução Industrial, nas sociedades de características agrárias, rurais, o tempo do trabalho e o do descanso se misturavam, sendo este último, quase sempre privilégio das elites e dos intelectuais (Gomes, 2003). O advento da industrialização provocou várias mudanças nas sociedades. As cidades se urbanizaram e o tempo passou a ser controlado pelo relógio. O trabalho tornou-se a dimensão mais importante na vida dos sujeitos, consumindo boa parte do seu dia. Entretanto, os trabalhadores do mundo inteiro, reivindicaram a redução na jornada para que o tempo do lazer pudesse ser ampliado. Dessa forma, os trabalhadores conquistaram o direito de realizá-lo em 40 horas semanais em vários países, além do fim de semana remunerado e o direito às férias. |
||||||
|
|
|
|||||
Mas, a conquista pelo
tempo liberado do trabalho não tem se efetivado, atualmente, como
conquista de um tempo para a vivência do lazer, principalmente pelas
camadas populares. As baixas remunerações e a dificuldade
que os trabalhadores encontram para verem resolvidas suas necessidades
básicas, aliadas à sedução das propagandas
induzindo o trabalhador a comprar até aquilo de que não
necessita, tem feito com que o lazer seja a primeira “gordurinha”
a ser cortada em seus orçamentos. Assim, “sobra” para
o trabalhador vivenciar em seus momentos de lazer, a apreciação
dos programas de televisão, veículo que se torna um instrumento
eficaz ao agir com sutileza e eficiência na sedução
do sujeito. |
||||||
Portanto, este debate deve ser realizado com os alunos e alunas para que estes percebam a importância do lazer em suas vidas. A partir desse entendimento, o lazer torna-se uma dimensão tão importante quanto o trabalho na vida dos sujeitos. Joffre Dumazedier (1973), sociólogo francês que esteve no Brasil na década de 70, no século passado, afirma que lazer é “o conjunto de ocupações, às quais o indivíduo pode se entregar de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se ou ainda para desenvolver sua formação desinteressada, sua participação social voluntária, ou sua livre capacidade criadora, após se livrar das obrigações com o trabalho, família e sociais”. Para este autor, o lazer responde às necessidades do indivíduo de descanso, divertimento e desenvolvimento pessoal. Uma outra grande contribuição foi a categorização das atividades do lazer. Segundo ele, as atividades de lazer podem ser classificadas em: • Interesses culturais físico-esportivos (futebol; futsal;
futvolei; voleibol; peteca; basquetebol; handebol; natação;
ginástica; ciclismo; atletismo: corridas, saltos, arremessos;
caminhadas; bocha; enduro; capoeira; tênis de mesa; brincadeiras;
quadrilhas; hidroginástica; macroginástica; dança;
condicionamento físico; ginástica de academia; esportes
radicais; dentre tantos outros...);
|
||||||
• Interesses culturais intelectuais
(aqui se pode pensar nos estudos sobre determinado assunto, escolinhas
de esporte; escolinhas de atividade física e saúde; organização
esportiva; oficinas de papel, de artes plásticas e de teatro; biblioteca;
poesia; leitura; quadrinhos; jornal; xadrez; damas; truco; dominó;
palavras cruzadas; origami; astronomia; culinária; informática;
hobbys caseiros; museu; consertos caseiros; educação
ambiental; bate-papos com especialistas...); • Interesses culturais sociais (competições esportivas; brinquedos populares; cartas a amigos; bate papos com amigos; festas populares; bailes; visitas; clube da amizade; aniversários comunitários; datas comemorativas; festivais de música, de dança, de teatro, de ginástica; encontros familiares; encontros no coreto da praça; colônia de férias; lançamentos de vídeos, revistas, filmes; gincanas; shows; videokês; festivais de truco e outros...); |
||||||
|
||||||
| Lazer segundo : Nelson C. Marcellino (1987) Leila M.S.M. Pinto (2003) Fernando Mascarenhas (2001) Christianne L. Gomes (2003) |
||||||
|
||||||
| É preciso assumir o lazer como cultura, direito de todos, possibilidade de desenvolver a saúde e a qualidade de vida, a formação do individual e do coletivo, e sua capacidade de (re)criação e transformação | ||||||