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Proposta Curricular - CBC

Arte - Ensino M�dio

CRIADO EM: 04/08/2008
MODIFICADO EM: 04/08/2008

Propostas Curriculares | Orientações Pedagógicas | Roteiros de Atividades

 

Conteúdo Básico Comum (CBC) de Arte no Ensino Médio

A seleção dos conteúdos específicos de artes audiovisuais, artes visuais, dança, música e teatro dependerá dos conhecimentos trabalhados nos ciclos ou séries anteriores e dos investimentos de cada escola. Os professores de Arte devem fazer um diagnóstico do grau de conhecimento de seus alunos e procurar saber o que já foi aprendido, buscando aprimorar e integrar esses saberes, tendo-os como foco, para a nova aprendizagem, as artes audiovisuais.

A critério das escolas e respectivos professores, sugere-se que os projetos curriculares se preocupem em ampliar as possibilidades de conhecimento e expressão das formas artísticas propostas ao longo do ensino fundamental, quando foram trabalhadas artes visuais, dança, música e teatro com mais especificidade e as integrem com as artes audiovisuais.

Os conteúdos de Arte estão organizados de maneira que possam ser trabalhados no 1º ano, podendo ser expandidos ao longo do Ensino Médio. Espera-se que, nesta fase, o aluno seja capaz de propor projetos integrados das várias áreas artísticas e/ou mais específicos, de acordo com seus desejos e a disponibilidade de tempo, espaço e equipamentos da escola. São eles:

• Revisão dos elementos básicos das expressões artísticas, modos de articulação formal, técnicas, materiais e procedimentos na criação em arte.
• Revisão dos conceitos de arte como expressão e discurso dos indivíduos.
• Aprofundamento e ampliação dos estudos sobre arte na sociedade, considerando os artistas, os pensadores da arte, outros profissionais, as produções e suas formas de documentação, preservação e divulgação em diferentes culturas e momentos históricos.

Espera-se que o aluno já tenha desenvolvido habilidades e competências básicas do trabalho em Arte e possa utilizá-las em novas produções individuais e coletivas, demonstrando:

• Interesse e respeito pela própria produção, dos colegas e de outras pessoas.
• Disponibilidade e autonomia para realizar e apreciar produções artísticas, expressando idéias, valorizando sentimentos e percepções.
• Desenvolvimento de atitudes de autoconfiança e autocrítica nas tomadas de decisões em relação às produções pessoais e aos posicionamentos em relação a artistas, obras e meios de divulgação das artes.
• Valorização das diferentes formas de manifestações artísticas como meio de acesso e compreensão das diversas culturas.
• Identificação e valorização da arte local e nacional, inclusive obras e monumentos do patrimônio cultural.
• Reconhecimento da importância de freqüentar instituições culturais onde obras artísticas sejam apresentadas.
• Sensibilidade para reconhecer e criticar manifestações artísticas manipuladoras, que ferem o reconhecimento da diversidade cultural e a autonomia e ética humanas.
• Atenção ao direito de liberdade de expressão e preservação da própria cultura.

O ideal é que o horário obrigatório seja usado para que os conteúdos/habilidades específicos de uma determinada área de expressão sejam privilegiados e que sejam utilizados outros horários curriculares para o desenvolvimento de outras expressões artísticas e a criação de grupos. Dependendo das condições, podem ser escolhidas as áreas artísticas a serem trabalhadas na escola. É bom lembrar que é preferível que o aluno tenha um ensino consistente em uma ou duas áreas de expressão que um ensino deficitário em todas.

Nesse sentido, os tópicos obrigatórios são referenciais para que o professor aborde os assuntos. Dentre eles, o professor poderá escolher os conteúdos que têm mais condições para desenvolver aprofundadamente, através dos tópicos complementares, e contribuir significativamente para a aprendizagem dos alunos em Arte. Como já foi dito, para os conteúdos que não são de domínio do professor, será preciso um esforço do professor e da escola para conseguir membros da comunidade que dominem o assunto e possam colaborar no processo de ensino/aprendizagem dos alunos em Arte, como agentes informadores.

Eixo Temático I
Conhecimento e Expressão em Artes Audiovisuais


O ensino das artes audiovisuais institui-se como um elemento de reestruturação do conhecimento humano na atualidade, pois o contato que todos têm hoje com a imagem em movimento, conjugada com o som, representa uma mudança significativa na forma de alguém se posicionar na sociedade. Portanto, o relacionamento que se tem hoje com a denominada cultura audiovisual supera, em várias situações, outras formas de consumo de produtos culturais; serve de exemplo a hegemonia cultural que a televisão tem conseguido nos últimos anos, com uma produção e reprodução de imagens que influem enormemente no comportamento da população em quase todo o mundo e quase todas as situações sociais – costumes, religião, ética, política etc. A imagem em movimento tem, assim, um sentido muito forte em nossa vida cotidiana.

A introdução da temática audiovisual na atual proposta curricular para o Ensino Médio revela-se extremamente oportuna, visto que o nosso século tende ao aprofundamento do conhecimento e da relação das pessoas com a imagem em movimento, já consolidado e bastante significativo desde o século XX com o surgimento e/ou desenvolvimento da fotografia, do cinema, da televisão e o aparecimento de novas tecnologias aplicadas a produtos audiovisuais, como a imagem digital.

O denominado campo audiovisual, que é ao mesmo tempo o do mundo do espetáculo, é assim expresso por Guy Debord: “O espetáculo não é um conjunto de imagens mas uma relação social entre pessoas, mediadas por imagens.”

É, pois, justamente através do entendimento e estudo do espetáculo que poderemos obter a maior inserção do ensino das artes audiovisuais na escola e onde poderemos possibilitar aos alunos o entendimento dos modelos de comunicação e informação desenvolvidos na sociedade e estabelecer o vínculo desses com a recepção e a produção audiovisual.

Estudar e aprender artes audiovisuais constitui um novo parâmetro de inserção cultural, pois demonstra a preocupação de estabelecer uma aprendizagem que leve em conta uma nova economia que vem se formando, intermediada em grande parte por novos produtos audiovisuais. Criar a possibilidade para que a escola possa participar desde o início de uma formação adequada para esta área suscita para os jovens uma forma diferenciada de relacionamento na sociedade, pois uma forma forte de discriminação social, hoje, é a exclusão dos meios de comunicação contemporâneos, seja por não entendê-los, seja por não saber executá-los.

Para executar, é necessário que os alunos aprendam a lidar com o discurso audiovisual, como uma maneira de se atualizarem frente à crescente demanda por novos conceitos visuais, como o formato digital, a interação com a Internet, o entendimento da produção e realização fílmica e televisiva, etc. Pode-se afirmar que o crescimento verificado na atualidade das artes audiovisuais representa uma forma diferenciada dentro do ensino, que possibilitará ao aluno entender e se expressar em várias mídias e estabelecer uma conexão contemporânea com a sociedade.

O produto audiovisual como articulador pedagógico nas escolas está, atualmente, na maioria das vezes, apenas relacionado com a mera apresentação ilustrativa de outras disciplinas dentro da sala de aula. Seu uso ainda não é aplicado como expressão artística própria, como parte de um estudo exclusivo e de uma produção autônoma e independente.

Entender os mecanismos da expressão audiovisual nos remete ao desenvolvimento de habilidades, competências e atitudes que estão inseridas nos PCN, ligadas aos processos de investigação, compreensão e contextualização histórico-social. Nesse sentido, o ensino das artes audiovisuais nas escolas passará a ter um papel integrador e coletivo, que possibilitará a interação com outras formas de expressão artística, podendo mesmo tornar-se um núcleo aglutinador de várias produções, junto com o teatro, dança e música, por exemplo.

É, portanto, plenamente plausível propor um programa educacional com o enfoque no aprendizado do discurso audiovisual, como meio de expressão artística de comunicação e informação, seja como conhecimento formador / problematizador sobre a realidade vivenciada pelo aluno, seja como gerador de possibilidades de inserção social através do domínio de novos meios de expressão.

Isto se dá, principalmente, porque muitos produtos audiovisuais introduzem novas abordagens de entendimento para o aluno, como indica Jacques Aumont:

“A dimensão imagética, tem por função primeira garantir, reforçar, reafirmar e explicitar nossa relação com o mundo visual: ela desempenha o papel de descoberta do visual 2 ".

Desse modo, a imagem audiovisual, enquanto conhecimento, tem sua relação com o mundo baseado, substancialmente, nas dimensões visuais da realidade social, isto é, na representação e na expressão de objetos materiais perceptíveis pertencentes e reconhecidos no universo humano e natural. Ou seja, o estudo e a realização desta área poderá proporcionar ao estudante um redimensionamento de sua concepção de mundo, introduzindo uma nova capacidade de leitura e aproximando-o, sobretudo, de vários produtos artísticos diferenciados.

A cultura audiovisual revela-se hoje como interdisciplinar e integradora que, como expressão artística, busca referências na arquitetura, na história, na antropologia, nas artes visuais e mesmo nas ciências exatas e biológicas.

A educação para a expressão audiovisual se apresenta como uma rica e ampla possibilidade de desenvolvimento das potencialidades criativas dos jovens, contribuindo fortemente para seu posicionamento na sociedade atual. Através da inclusão audiovisual, o jovem poderá encontrar sua forma de relacionamento com um mundo cada vez mais globalizado e interativo.

Objetivos

• Desenvolver nos jovens a capacidade de leitura audiovisual através de projeções de meios audiovisuais, visando estabelecer sua capacidade de análise para a área e a compreensão dos elementos específicos do discurso audiovisual.
• Criar uma disciplina com as especificidades das artes audiovisuais dentro do currículo das escolas participantes do PDP.
• Estimular os alunos para a criação de produtos audiovisuais, que tenham como foco primordial a realidade regional onde estão inseridas as escolas, assim como interagir com outras áreas educacionais.
• Estimular sempre que possível o uso de material de informática na construção de produtos audiovisuais.
• Desenvolver nas escolas (que apresentarem melhores condições de infra-estrutura para a área), um projeto-piloto de TV Comunitária, visando à fruição e divulgação do material produzido pelos alunos junto às comunidades circundantes, organizando, assim, grupos de inserção digital nas escolas participantes do PDP.

Estratégias – Exemplos

1- Percepção audiovisual e sensibilidade estética

• Estudo dos meios e modos de expressão audiovisual.
• Estudo e análise do discurso cinematográfico.
• Pesquisa e estudo sobre a influência da televisão.
• Desenvolvimento de exercícios com fotografias.

2- Movimentos artísticos em artes audiovisuais em diferentes épocas e diferentes culturas

• Contato dos alunos com os múltiplos produtos audiovisuais, como filmes, programas de televisão, internet, produtos digitais, fotografia etc.
• Estudo histórico e comparativo da evolução da expressão audiovisual.
• Estudos do cinema documental.

3- Elementos das artes audiovisuais

• Exercícios de uso correto da escala de planos, dos ângulos de câmara, dos movimentos de câmara e das tomadas cinematográficas em função da montagem.
• Exercícios para identificação das possibilidades de uso da expressão audiovisual com outras formas de expressão, como a música, dança e teatro.
• Criação de um glossário com os termos básicos da arte audiovisual.
• Estudo das noções básicas de acústica.
• Identificação das principais diferenças entre iluminação/dia e interior/noite.
• Exercícios de uso adequado dos elementos necessários a uma boa composição de imagens.

4- Expressão e difusão audiovisual

• Exercícios de roteiro criativo a partir de diferentes idéias.
• Exercícios para identifi cação das diferenças entre técnicas de cinema e vídeo.
• Exercícios do uso de técnicas de informática aplicadas à imagem em movimento.
• Exercícios de sonorização de produções audiovisuais.
• Elaboração de planos de produção.
• Elaboração de mapas de gravação.
• Exercícios de roteirização para criar documentários.
• Exercícios de como saber estabelecer uma equipe de gravação e desenvolver métodos de trabalho coletivo.
• Divulgação.
• Criação coletiva de uma TV comunitária para divulgação das produções realizadas, dentro das possibilidades da escola.

Eixo Temático II
Conhecimento e Expressão em Artes Visuais


Nos dias de hoje, a imagem visual tem uma inserção cada vez maior na vida das pessoas. Imagens nos são apresentadas e reapresentadas a todo momento, num misto de criação e recriação. Nesse contexto, é importante desenvolver-se a competência de saber ver e analisar imagens, para que se possa, ao produzir uma imagem, fazer com que ela tenha significação tanto para o autor quanto para quem vai vê-la. Nesse sentido, é preciso conhecer a produção artística visual da comunidade, dando-lhe o devido valor.

Os modos de produção e de conhecimento de imagens são bastante diversificados. Entre os meios eletrônicos e os tradicionais, há uma variedade bastante grande de possibilidades a serem exploradas e usadas. Construir conhecimentos que ajudem as escolhas dentre essas possibilidades é extremamente importante para a inserção do aluno no contexto contemporâneo de produção e fruição visual. Isso só pode acontecer se for trabalhado, com o aluno, o pensamento crítico aliado ao pensamento artístico.

Também é essencial o conhecimento dos diversos instrumentos de produção artística, ficando bem claro que esse conhecimento não deve ser um fim em si mesmo, mas um meio para que se consiga ver, significar e produzir arte. As artes visuais, além das formas tradicionais — pintura, escultura, desenho, gravura, objetos, cerâmica, cestaria, entalhe etc. —, incluem outras modalidades que resultam dos avanços tecnológicos e transformações estéticas do século XX: fotografia, artes gráficas, cinema, televisão, vídeo, computação, performance, holografia, design, arte em computador. Neste início de século XXI, o que se apresenta é a possibilidade de aprofundamento no saber de cada uma dessas modalidades artísticas e de redimensionamento das relações possíveis com elas. Cada uma dessas modalidades artísticas tem a sua particularidade e é utilizada em várias possibilidades de combinações, por intermédio das quais os alunos podem expressar-se e comunicar-se entre si e com outras pessoas de diferentes maneiras.

No mundo contemporâneo as expressões visuais ampliam-se, fazendo novas combinações e criando novas modalidades. A multimídia, a performance, o videoclipe e o museu virtual são alguns exemplos em que a imagem integra-se ao texto, som e espaço.

A educação em artes visuais requer entendimento sobre os conteúdos, materiais e técnicas com os quais se esteja trabalhando, assim como a compreensão desses em diversos momentos da história da arte, inclusive a arte contemporânea. Para tanto, a escola deve colaborar para que os alunos passem por um conjunto amplo de experiências de aprender e criar, articulando percepção, imaginação, sensibilidade, conhecimento e produção artística pessoal e coletiva.

O desenvolvimento do aluno nas expressões visuais requer, então, aprendizagem de técnicas, procedimentos, informações sobre história da arte, artistas e sobre as relações culturais e sociais envolvidas na experiência de fazer e apreciar arte. Sobre tais aprendizagens, o jovem construirá suas próprias representações ou idéias, que transformará ao longo do desenvolvimento, à medida que avança no processo educacional.

Em artes visuais, a escola não pode separar as experiências do cotidiano do aprender individual e coletivo. Entende-se o estudante na escola como um produtor de cultura. A escola deve incorporar o universo jovem, trabalhando seus valores estéticos, escolhas artísticas e padrões visuais. Se, por um lado, não se pode imaginar uma escola que mantenha propostas educativas em que o universo cultural do aluno fique fora da sala de aula, por outro, não se pode permitir uma escola que não proporcione ao aluno o acesso às formas mais complexas de arte.

A escola também deve ter propostas de orientação para jovens, que ampliem seu repertório estético e os ajudem a posicionar-se criticamente sobre questões da vida artística e social do cidadão.

Objetivos

• Expressar, representar idéias, emoções, sensações por meio da articulação de poéticas pessoais, desenvolvendo trabalhos individuais e coletivos.
• Construir, expressar e comunicar-se em artes visuais, articulando a percepção, a imaginação, a memória, a sensibilidade e a reflexão, observando o próprio percurso de criação e suas conexões com o de outros.
• Reconhecer, diferenciar e saber utilizar com propriedade diversas técnicas de arte, com procedimentos de pesquisa, experimentação e discurso próprios.
• Desenvolver uma relação de autoconfiança com a produção artística pessoal, relacionando a própria produção com a de outros, valorizando e respeitando a diversidade estética, artística e de gênero.
• Conhecer, relacionar, apreciar objetos, imagens, concepções artísticas e estéticas — na sua dimensão material e de significação —, criados por produtores de distintos grupos étnicos em diferentes tempos e espaços físicos e virtuais, observando a conexão entre essas produções e a experiência artística pessoal e cultural do aluno.
• Freqüentar e saber utilizar as fontes de documentação de arte, valorizando os modos de preservação, conservação e restauração dos acervos das imagens e objetos presentes em variados meios culturais, físicos e virtuais, museus, praças, galerias, ateliês de artistas, centros de cultura, oficinas populares, feiras, mercados.

Estratégias - Exemplos

Revisão e aprofundamento dos estudos de:

1- Percepção visual e sensibilidade estética

• Apreciação e análise formal e crítica de imagens e de objetos artísticos.
• Produção de obras em que sejam estabelecidas relações entre: análise formal, pensamento artístico, contextualização cultural, identidade pessoal.

2- Movimentos artísticos em artes visuais em diferentes épocas e diferentes culturas

• Revisão do contexto histórico e social da obra de arte através dos tempos.
• Arte contemporânea.
• Continuidade do estudo de obras de diversos artistas.
• Visitas a galerias, museus e ateliês.
• Confecção de álbuns, portfólios etc.

3- Elementos das artes visuais

• Aprofundamento dos estudos de: teoria da cor, estrutura da forma, ponto e linha, figura e fundo, luz e sombra, massa e traço, luz e sombra, forma e contra-forma, espaço, ritmo, textura e movimento.
• Criação e construção de imagens.
• Continuidade de elaboração do glossário com termos de artes visuais.

4- Expressão em artes visuais

• Expressão bidimensional. (Elaboração de obras com registros gráficos em suas diversas possibilidades).
• Expressão tridimensional. (Elaboração de obras com registros volumétricos em suas diversas possibilidades).
• Expressão digital. (Estudo e criação de obras digitais, de acordo com os equipamentos disponíveis).

Eixo Temático III
Conhecimento e Expressão em Dança


Os jovens, no Ensino Médio, voltam-se para as ações corporais com mais intencionalidade. Seus movimentos, nesta faixa de idade, buscam relações com o mundo e a preservação de seu modo de existir. Seus movimentos, agora com maior domínio do espaço, mas ainda na ânsia de novas conquistas, por vezes são bruscos ou exagerados.

Na maioria das vezes, a dança na escola não se apresenta relacionada ao conhecimento, mas sim a festas e comemorações, ou à imitação de modelos televisivos. Freqüentemente ignoram-se os conteúdos socioafetivos e culturais presentes tanto nos corpos como na escolha de movimentos, coreografias e/ou repertórios, eximindo os professores de qualquer intervenção para que a dança possa ser dançada, vista e compreendida de maneira crítica e construtiva.

Estudos sociológicos e antropológicos em relação à construção do corpo em sociedade comprovam que, por diversas razões, muitos não possuem o movimento nato ou a dança no sangue, como se alega. Na sociedade contemporânea, não se pode tampouco ignorar a presença da dança virtual, que se relaciona com os corpos físicos de maneira totalmente distinta da dos antepassados. Assim, não se tem, necessariamente, um corpo que se movimenta no tempo e no espaço sempre que se dança.

É essencial que o professor ouça o que seus alunos têm a dizer sobre seus próprios corpos, sobre o que dançam e o que gostariam de dançar, buscando escolher conteúdos e procedimentos mais complexos e problematizadores que o que está à disposição na mídia de massa.

Dessa forma, a escola pode desempenhar papel importante na educação dos corpos e do processo interpretativo e criativo de dança, pois dará aos alunos subsídios para melhor compreender, desvelar, desconstruir, revelar e, se for o caso, transformar as relações que se estabelecem entre corpo, dança e sociedade. Essa função da escola torna-se ainda mais relevante, pois os alunos do Ensino Médio tomam, mais claramente, consciência de seus corpos e das diversas histórias, emoções, sonhos e projetos de vida que neles estão presentes.

Encarregada não de reproduzir, mas de mediar e de construir conhecimento em dança e por meio da dança com seus alunos, a escola pode proporcionar parâmetros para a apropriação crítica, consciente e transformadora dos seus conteúdos específicos. Com isso, poderá trabalhá-la como forma de conhecimento e elemento essencial para a educação do ser social que vive em uma cultura plural e multifacetada como a nossa.

A escola tem a possibilidade de fornecer subsídios práticos e teóricos para que as danças, que são criadas e aprendidas, possam contribuir na formação de indivíduos mais conscientes de seu papel social e cultural. É importante que se possa mudar o conceito de dança entre a maioria dos jovens, que pode estar estereotipado em virtude das relações com a mídia, em que a coreografia pronta para cada estilo musical é constante.

Para tanto, há necessidade de orientações didáticas que estejam comprometidas com a realidade sociocultural brasileira e com valores éticos e morais que permitam a construção de um cidadania plena e satisfatória. A pura reprodução/ensaio de danças folclóricas na escola, por exemplo, pode ser tão alienante e opressora quanto repertórios do balé clássico, ensinados mecânica e repetidamente. Do mesmo modo, a dança chamada criativa ou educativa pode, dependendo de como for ensinada, isolar os alunos do mundo e da realidade sociopolítica e cultural que os cerca.

É importante que o corpo não seja tratado como instrumento ou veículo da dança. O corpo é conhecimento, emoção, comunicação, expressão. Ou seja, o corpo somos nós e nós somos o nosso corpo. Portanto, o corpo é a nossa dança, e a dança é o nosso corpo. Graças à imensa variedade de corpos existentes em nossa sociedade, serão dados temperos diferentes às danças criadas quer pelo grupo classe, quer pelo professor ou pela sociedade (no caso dos repertórios das culturas). É esta uma das grandes riquezas e contribuições da dança no processo educacional: a possibilidade de conhecer, reconhecer, articular e imaginar a dança em diferentes corpos, e, portanto, com diferentes maneiras de viver em sociedade.

A dança inserida no contexto educacional deve propiciar o desenvolvimento da consciência corporal dos indivíduos e, ao trabalhar o corpo, estar se apropriando de um espaço em que a história de cada um está registrada, possibilitando reativar a memória coletiva e, conseqüentemente, valorizar os aspectos fundamentais de sua cultura.

Objetivos

• Construir uma relação de cooperação, respeito, diálogo e valorização das diversas escolhas e possibilidades de interpretação e de criação em dança que ocorrem em sala de aula e na sociedade.
• Aperfeiçoar a capacidade de discriminação verbal, visual, sonora e cinestésica e de preparo corporal adequado em relação às danças criadas, interpretadas e assistidas.
• Situar e compreender as relações entre corpo, dança e sociedade, principalmente no que diz respeito ao diálogo entre a tradição e a sociedade contemporânea.
• Buscar e saber organizar, registrar e documentar informações sobre dança em contato com artistas, documentos, livros etc., relacionando-os a suas próprias experiências pessoais como criadores, intérpretes e apreciadores de dança.

Estratégias - Exemplos

1. Percepção gestual/corporal e sensibilidade estética

• Aprofundamento da apreciação e análise de produções em dança.

2. Movimentos artísticos em dança em diferentes épocas e diferentes culturas

• Pesquisas sobre dançarinos/coreógrafos e grupos de dança brasileiros e estrangeiros,que contribuíram para a história da dança nacional, com ênfase na dança contemporânea.

3. Elementos da dança

• Estudo das relações de espaço, tempo, ritmo, movimento, planos e peso dos gestos na dança.
• Continuidade da elaboração de glossário com os termos técnicos básicos de dança.

4. Expressão em dança

• Criação de movimentos/danças corporais individuais e/ou coletivas, de acordo com as escolhas pessoais ou de grupo, respeitando e compreendendo seus limites, possibilidades físicas, emocionais e intelectuais.
• Interpretação de coreografi as de criação individual, coletiva ou de outros coreógrafos.
• Documentação dos próprios trabalhos de dança e dos elaborados por diferentes dançarinos e coreógrafos.
• Produções em dança, integradas com música e teatro.

Eixo Temático IV
Conhecimento e Expressão em Música


Os conteúdos aqui apresentados para o ensino de música foram selecionados de acordo a servirem de diretrizes gerais para o Ensino Médio. Por isso, devemos nos ater em relação ao seu aprofundamento, em relação ao trabalho realizado no Ensino Fundamental, bem como sua adequação a cada grupo de trabalho. Muitas vezes, as escolas de Ensino Médio recebem seus alunos de outras escolas onde não havia ensino de arte e, menos ainda, o ensino de música. Dessa maneira, pensamos na possibilidade da retomada de alguns conteúdos básicos para suprir essa deficiência e colocar esses alunos mais próximos daqueles que já vivenciaram o processo criativo em música.

No Ensino Médio, a metodologia de trabalho para a expressão musical deverá ser direcionada para a realização de processos criativos que resultem em produções mais elaboradas, finalizadas e apresentadas para os colegas ou publicamente, mostrando o entendimento do aluno ou grupo sobre o discurso musical. Esse discurso deverá ser analisado e avaliado pelo grupo e pelo professor de Arte ou receber as observações do público, quando for o caso. Assim, o ensino de música estará cumprindo as funções de expressão e comunicação, tornando públicos os resultados, bem como as possíveis descobertas e inovações que o aluno ou o grupo produziu ao longo do processo criativo. É de grande importância a apresentação desses resultados para que os alunos conheçam todo o caminho que percorre a produção do conhecimento musical, desde a concepção à apresentação de uma obra. Além disso, queremos ressaltar o aspecto altamente positivo dessas apresentações criteriosas, para elevar a auto-estima dos alunos e professores, como também o reconhecimento da escola pela comunidade, quando essas apresentações extrapolam os muros e limites da escola, tornando pública a arte dos jovens.

Outro aspecto que devemos observar é a capacidade de interação com outras áreas de conhecimento que a música apresenta. A opção de um trabalho integrado em artes audiovisuais, no Ensino Médio, é um forte exemplo dessa capacidade. Os alunos, ao produzirem qualquer trabalho audiovisual, poderão usar seus conhecimentos em música e produzir trilhas sonoras originais ou selecionadas de músicas já existentes, como suporte e diálogo entre imagens e sons. Essa é a forma mais comum de interação, que poderá ser também feita com o teatro e a dança.

É importante destacar que a formação de grupos musicais, vocais ou instrumentais também é uma opção importante, para os alunos do Ensino Médio. Observamos, entre os jovens, um crescente interesse pela música e a escola deverá se voltar para este despertar musical dos jovens, oferecendo em seu currículo um ensino de música que contemple a criação, a apreciação e a interpretação. Oferecer também a oportunidade de lidar com a música por meio de instrumentos tradicionais, com a voz cantada e falada, e com os recursos eletrônicos, ampliando assim o universo cultural de seus alunos.

Objetivos

• Oferecer aos jovens a oportunidade de lidar com a música em seus aspectos rítmicos, melódicos, harmônicos, formais e expressivos, através da execução de instrumentos tradicionais, da voz e de meios eletrônicos e eletroacústicos, em interação com atividades de criação de audiovisuais.
• Propiciar a audição ativa de diferentes gêneros musicais, de diferentes épocas e estilos, valorizando as criações musicais tradicionais e atuais (locais, regionais, nacionais e internacionais), ampliando o conhecimento musical dos jovens, para que possam apropriar-se da música como bem cultural significativo para sua formação e fruição.
• Inserir o ensino da música como área artística no currículo das escolas de Ensino Médio, levando-se em conta o contexto cultural de cada uma das regiões onde for implantado.
• Criar grupos musicais instrumentais, vocais e/ou utilização de meios eletrônicos, para execução de músicas especialmente criadas e/ou arranjadas pelos alunos e/ou professores.
• Criar trilhas sonoras para diferentes manifestações de dança, teatro e audiovisual.

Estratégias - Exemplos

1- Percepção sonora e sensibilidade estética

• Pesquisas de sons em diferentes meios eletrônicos, seus registros e utilizações.
• Execução de instrumentos musicais tradicionais e utilização da voz em músicas tradicionais e/ou criadas pelo grupo.

2- Movimentos artísticos em música em diferentes épocas e diferentes culturas

• Estudo das modalidades e funções da música em obras audiovisuais, no teatro e na dança.
• Audição ativa de músicas de diversas épocas, gêneros e estilos, para o conhecimento e apreciação de músicas de diferentes povos e períodos históricos e de seu meio sociocultural.
• Visita às escolas de música, ensaios de grupos, shows musicais, concertos etc.
• Apresentação de textos ligados à história da música.
• Caracterização de períodos históricos em música.

3- Fundamentos da música

• Percepção auditiva dos encadeamentos harmônicos em peças musicais.
• Apresentação de acompanhamentos harmônicos (cifras) para melodias em instrumentos musicais.
• Percepção e elaboração de melodias em diferentes tonalidades.
• Execução de ritmos tradicionais diversos e criados pelo grupo.
• Percepção e estudo de formas musicais tradicionais e da atualidade.
• Continuidade de elaboração de glossário com os termos técnicos básicos da música.

4- Expressão musical

• Experimentação de possibilidades de sons corporais e vocais, e sua organização no processo criativo.
• Exercícios de criação e análise de músicas.
• Criação de sons, individualmente e em grupo, de acordo com escolhas pessoais e grupais, respeitando e compreendendo seus limites, possibilidades físicas, emocionais e intelectuais.
• Improvisação de musical, explorando as capacidades do corpo, de materiais sonoros, da voz e de instrumentos musicais.
• Trabalho com músicas de diversos ritmos e criação de movimentos corporais.
• Musicalização de texto literário, de peças teatrais, de dança e/ou audiovisuais.
• Execução de instrumentos musicais tradicionais ou eletrônicos.
• Atividades de expressão vocal.
• Interpretação musical.
• Interpretação de músicas com instrumentos musicais tradicionais e/ou criados pelo grupo, tais como, percussão, corda, sopro, incluindo também a voz, teclado e meios eletrônicos, fazendo uso de técnicas de execução instrumentais e vocais básicas.
• Formação de grupos e conjuntos musicais diversos.

Eixo Temático V
Conhecimento e Expressão em Teatro


Dentre as áreas artísticas que compõem o currículo do Ensino Médio, como a música, a dança, as artes visuais e as artes audiovisuais, o teatro pode ser considerado separadamente ou articulado com outras expressões artísticas e áreas de conhecimento.

Na introdução dos PCN para o Ensino Médio, já podemos notar o enfoque dado em um trabalho integrado em arte e a importância do coletivo na produção artística. A expressão dramática poderá ser um dos núcleos das atividades integradoras, em que música, dança, textos e expressão visual constituem a poética de encenação a partir do resultado dessas atividades. Assim, o teatro tem, inerentes à sua expressão, os elementos essenciais para uma produção coletiva, e é por excelência a expressão artística capaz de promover o entendimento de cidadania participativa e do trabalho coletivo.

Depois de ter vivenciado no Ensino Fundamental jogos dramáticos, dramatizações e encenações de textos existentes ou criados pelos alunos, os jovens, neste período de sua formação, deverão se concentrar em uma produção teatral em que imagens, movimentos, textos, sons, luz, cenários e outros elementos se articulam em um discurso completo. Dessa forma, estarão vivenciando uma produção mais elaborada, fi nalizada e que poderá ser apresentada para os colegas ou publicamente. É de grande importância a apresentação desses resultados, para que os alunos conheçam todo o caminho que percorre uma produção teatral, desde a concepção à apresentação de uma obra em público, por mais simples que seja. Queremos ressaltar o aspecto altamente positivo dessas apresentações criteriosas, para elevar a auto-estima dos alunos e professores, como também o reconhecimento da escola pela comunidade, quando essas apresentações extrapolam os muros e limites da escola.

Nesse período de aprendizado, é importante que os professores estejam atentos para a constituição de grupos de teatro e ajudem seus alunos nesta tarefa, criando na escola grupos de teatro amador. Para isso, o professor deverá propiciar aos alunos, quando possível, visita a grupos já estabelecidos na cidade, para que conheçam o processo criativo desses grupos e os seus ensaios. A fruição de peças teatrais ao vivo ou por meio de vídeos é também importante para que os alunos possam analisar e compreender o discurso teatral profissional.

Objetivos

• Elaborar discurso teatral signifi cativo, utilizando os elementos que fundamentam a referida expressão.
• Identificar, reconhecer e valorizar as diferentes manifestações teatrais de grupos e/ou comunidades, de diferentes culturas e de diferentes épocas.
• Inserir o ensino do teatro como área artística no currículo das escolas, levando-se em conta o contexto cultural de cada uma das regiões onde for implantado.
• Estimular o conhecimento da dramaturgia tradicional e contemporânea.
• Possibilitar a utilização da expressão teatral nas produções de audiovisuais.
• Criar grupos para representações teatrais, tendo como referência a dramaturgia tradicional e contemporânea, bem como peças criadas pelo grupo.

Estratégias – Exemplo

1- Percepção dramática e sensibilidade estética.

• Elaboração do discurso teatral.
• Exercícios corporais para o desenvolvimento da expressão dramática.

2- Movimentos artísticos em teatro, em diferentes épocas e diferentes culturas.

• Conhecimento do campo de abrangência do teatro.
• Estudo das modalidades e funções do teatro.
• Apreciação e crítica de peças teatrais representadas ao vivo ou por meio de vídeos, DVD e TV.
• Caracterização dos períodos relevantes na história do teatro, os estilos e épocas.
• Pesquisas das diferentes tradições dramáticas populares e a presença dessa tradição na produção contemporânea.
• Visita a escolas e grupos de teatro para contato com o espaço teatral profi ssional.
• Conhecimento da dramaturgia tradicional e contemporânea.

3- Elementos do teatro.

• Improvisar e atuar nas situações da dramaturgia, explorando as capacidades do corpo e da voz.
• Construção de personagens e elementos inerentes à cena teatral, de acordo com o roteiro ou texto teatral.

4- Expressão teatral.

• Exercícios de criação e análise de diferentes personagens e ações dramáticas, de acordo com a proposta de encenação.
• Construção de cenas para a composição do discurso teatral.

5- Interpretação teatral.

• Análise de textos e personagens, sua expressão corporal e verbal, características físicas e psicológicas.
• Leituras dramáticas e interpretação teatral.
• Improvisação de personagens interagindo com outros, de acordo com a proposta apresentada para encenação.
• Ocupação do espaço e a significação dos objetos cênicos, cenários, vestimentas, sons e imagens.
• Criação de grupos teatrais amadores para apresentações.