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CRIADO EM: 17/04/2006
MODIFICADO EM: 17/04/2006
: CORPO HUMANO - ESSE VELHO CONHECIDO - PARTE II


Mirian do Amaral Jonis Silva

Trabalhando com os alunos

Você pode realizar uma experiência muito simples para mostrar que a quantidade de gás carbônico é maior no ar que sai dos pulmões. Você vai precisar de dois sacos plásticos transparentes, água, uma colher de chá de cal, algodão e um funil.

Dissolva a cal na água e despeje a solução no funil, previamente tampado com um chumaço de algodão. Colha a água de cal filtrada num recipiente. Ela deverá ficar transparente. Coloque uma pequena quantidade da água de cal em cada um dos sacos plásticos. Cuidadosamente, encha um dos sacos com ar do ambiente. Para isso, você deverá mantê-lo aberto e movimentá-lo de modo a "pegar" o máximo possível de ar. Amarre a boca do saco. Encha o segundo saco plástico com ar expirado, soprando dentro dele. Amarre-o da mesma forma. Agite vigorosamente os dois sacos, ao mesmo tempo. Seus alunos vão observar surpresos que no saco cheio com ar dos pulmões a água de cal tornou-se turva (leitosa), mantendo-se transparente no outro. Por que isso aconteceu?

É simples. O óxido de cálcio, conhecido como cal, reage com o gás carbônico e se transforma em carbonato de cálcio. A mudança de cor, que indica a ocorrência da reação química, só foi possível devido à presença de gás carbônico no ar expirado, em maior quantidade do que no ar do ambiente.

Vamos descrever sucintamente o caminho percorrido pelo ar em nosso corpo.

A idéia básica envolvida na entrada e na saída de ar, que ocorrem na respiração pulmonar, relaciona-se com uma importante propriedade do ar: ele ocupa todo o espaço disponível. Para que o ar entre em nosso corpo, alguns músculos do tórax, especialmente o diafragma, se contraem provocando um aumento do volume da cavidade torácica. Aumentando o espaço disponível, cria-se uma pressão negativa dentro da cavidade, e o ar entra . Na expiração, ocorre o contrário: há um aumento da pressão no interior da cavidade e o ar é expulso.

O ar que entra na inspiração deve passar preferencialmente pela cavidade nasal. Nessa cavidade, existem muitos pequenos pêlos que filtram a poeira. Além disso, a cavidade nasal aquece e umedece o ar, o que facilita as trocas gasosas que ocorrerão nos pulmões. Por esta razão, não é recomendável respirar pela boca.

Da cavidade nasal, o ar passa para a faringe e chega à laringe, onde se localizam as cordas vocais, que vibram com a passagem do ar, produzindo o som da fala. Da laringe o ar passa para a traquéia, um tubo cartilaginoso, revestido por muco, que se bifurca formando os brônquios. Já dentro dos pulmões, os brônquios se ramificam em bronquíolos e, daí em diante, sofrem inúmeras ramificações, originando uma série de estruturas cada vez mais finas que se espalham formando a chamada "árvore brônquica". Nas extremidades desses minúsculos "ramos" estão os alvéolos pulmonares, estruturas parecidas com pequenos cachos de uvas, onde ocorrem as trocas gasosas. Os alvéolos são tão fininhos que moléculas de gases como oxigênio e gás carbônico atravessam suas paredes, e circulam pelo sangue. O oxigênio chega aos pulmões e, como sua concentração é maior nos alvéolos do que no sangue, passa para a corrente sangüínea, atravessando os alvéolos pulmonares. Daí será levado a todas as células. O gás carbônico resultante das reações que ocorrem em todas as células do corpo também chega aos alvéolos pela corrente sanguínea e percorre o caminho inverso, sendo eliminado pelo organismo através da expiração.

Os pulmões de um ser humano adulto possuem cerca de 300 milhões de alvéolos. Se pudéssemos abri-los e esticá-los sobre uma superfície plana, cobriríamos uma área de 70 metros quadrados! Precisamos de toda essa superfície de absorção para que as trocas gasosas ocorram com o máximo de eficiência.

Você já percebeu que a respiração ocorre, portanto, em dois níveis: pulmonar e celular. Embora estejam relacionados, são processos diferentes. A respiração pulmonar refere-se aos movimentos de inspiração e expiração, que possibilitam a entrada e a saída de ar dos pulmões. A respiração celular é um processo intracelular, isto é, que se dá no interior das células. Nela ocorre liberação de energia a partir da reação envolvendo a glicose (obtida através da digestão dos alimentos) e o oxigênio (obtido através da respiração pulmonar), resultando na produção de gás carbônico e água .

De olho na saúde!

No inverno, quando a umidade do ar diminui, são comuns os problemas respiratórios, principalmente em crianças e idosos. Por isso, é recomendável umidificar os ambientes com um vaporizador durante os meses mais frios e secos.

Seção 4: O Corpo que se Ama se Cuida: a Circulação e a Excreção de Substâncias no Corpo Humano.

Objetivo específico: identificar estruturas e funções dos órgãos e sistemas responsáveis pela circulação e excreção, no corpo humano.

Agora que você já conhece as importantes funções desempenhadas pelo seu corpo, é hora de aprender um pouco mais. Aprender não apenas para saber, mas para praticar. Nesta seção, todo o conteúdo visa a motivá-lo a tomar atitudes responsáveis, valorizando o autocuidado. Vamos continuar estudando as funções vitais do organismo humano, destacando também aspectos culturais envolvidos no desenvolvimento humano, como a sexualidade, o convívio social e o lazer.

Circulação: a rede de transporte do organismo humano

Exame de sangue, pressão arterial, pulsação, batimentos cardíacos... Essas expressões são muito familiares para todos nós. Todas estão relacionadas com a circulação, função vital, que, por sua importância, já foi mencionada muitas vezes nas unidades anteriores.

A palavra "circulatório" vem de "círculo" e dá a idéia de um movimento contínuo, num trajeto circular, que é percorrido inúmeras vezes. De fato, a circulação começa ainda no início da fase embrionária e se estende até o último instante de vida. Mas, afinal, como ela acontece?

O sistema circulatório, responsável pelo transporte de substâncias no organismo, é formado pelo coração, pelos vasos sangüíneos e pelo sangue.

Fig. 26 _ Sistema circulatório.

Fonte: GONÇALVES, I. & COSTA, F. Ciências _ Passo a Passo. Vol. 4. Belo Horizonte: Dimensão, p. 65

Feche a sua mão e observe: este é o tamanho aproximado do seu coração. O coração humano é formado por músculos tão potentes que são capazes de bombear o sangue apenas com suas contrações. Está dividido internamente em quatro cavidades: os átrios direito e esquerdo e os ventrículos direito e esquerdo. Entre os átrios e ventrículos existem válvulas que abrem e fecham num movimento rítmico, impedindo que o sangue volte. Assim ele circula sempre num único sentido.

Os vasos sangüíneos são estruturas semelhantes a tubos, com diferentes diâmetros, por onde o sangue circula. São as artérias, veias e capilares. Estes últimos são assim chamados por serem finos como fios de cabelo, o que possibilita que o sangue chegue a todos os tecidos.

O sangue é formado pelo plasma e por células, que desempenham diferentes funções. O plasma é a parte líquida do sangue, formada predominantemente por água, na qual estão dissolvidas várias substâncias: glicose, sais minerais, proteínas, vitaminas etc. Os elementos celulares do sangue são os glóbulos vermelhos, também conhecidos como hemácias ou eritrócitos, os glóbulos brancos ou leucócitos, e as plaquetas.

Quando você faz um hemograma (um tipo de exame de sangue), o resultado apresenta o número de hemácias, leucócitos e plaquetas existentes em um milímetro cúbico de sangue (volume equivalente ao de um minúsculo cubo, cujos lados medem apenas um milímetro).

As hemácias são células que duram cerca de 3 a 4 meses, sendo continuamente substituídas. Sua principal função é transportar oxigênio, graças à hemoglobina, presente em sua composição. A hemoglobina é uma substância capaz de ligar-se ao oxigênio fazendo o seu transporte. Em 1 mm3 de sangue de um adulto sadio existem cerca de 5.000.000 de hemácias.

Os leucócitos estão envolvidos em funções de defesa do organismo contra microrganismos invasores. Existem cinco tipos de leucócitos. Se você tiver em mãos o resultado de seu último hemograma, poderá conferir: basófilos, eosinófilos, neutrófilos, linfócitos e monócitos. Alguns são capazes de produzir substâncias denominadas anticorpos, que imunizam o organismo contra o ataque de certos agentes infecciosos. Outros atacam esses agentes e os "engolem", num processo denominado fagocitose. Os leucócitos mortos no combate à infecção dão origem ao pus, que se forma nas regiões infectadas. Em 1 mm3 de sangue existem de 4.000 a 11.000 leucócitos.

Você sabia?

Os batimentos cardíacos são ocasionados por movimentos rítmicos de contração e relaxamento do coração. Quando o músculo cardíaco se contrai, num movimento denominado sístole, o sangue atinge a pressão máxima no interior dos vasos sangüíneos. Quando o músculo "relaxa" ocorre a diástole, quando a pressão atinge seu nível mínimo. O esfigmomanômetro, mais conhecido como "aparelho de pressão", mede a pressão arterial nesses dois momentos. A medida da pressão máxima ou sistólica e da pressão mínima ou diastólica permite avaliar e cuidar da saúde do sistema circulatório do paciente, prevenindo problemas mais graves.

Atividade 6

Dona Aurora, mãe de Letícia, foi procurar a Professora Márcia para justificar a ausência da filha nas aulas:

- Professora, minha filha amanheceu com febre ontem e hoje ficou toda vermelhinha. Acho que é rubéola. Vou procurar logo um Posto de Saúde pra ela tomar a vacina. Quem sabe ajuda a cortar a doença...

Parece que dona Aurora desconhece a função das vacinas.

O que Márcia poderia dizer para tentar desfazer o mal-entendido de Dona Aurora?

As plaquetas participam de um importante processo denominado coagulação. Um corte comum poderia ser fatal se nosso organismo não possuísse mecanismos para estancar rapidamente a perda de sangue. Quando um vaso sangüíneo é lesado, as plaquetas aderem às bordas da lesão. Elas também liberam substâncias que ativam uma proteína existente no plasma, chamada fibrinogênio, que se transforma em fibras que fecham a passagem do sangue, completando o processo de coagulação. Em 1 mm3 de sangue existem de 150.000 a 450.000 plaquetas. Um número inferior a 150.000, causaria sérios riscos de hemorragia. Um número superior a 450.000 poderia ocasionar coágulos dentro dos vasos sangüíneos, o que é muito prejudicial à saúde.

Você já sabe que, pelo sangue, são transportados até as células oxigênio e nutrientes. Sabe também que por ele são recolhidos das células o gás carbônico e resíduos que são levados aos pulmões e aos rins, respectivamente, para serem eliminados. Como isso acontece? Vamos agora acompanhar a fascinante trajetória do sangue no organismo humano. Mais adiante vamos falar sobre a eliminação dos resíduos tóxicos.

Por tratar-se de um trajeto circular, poderíamos começar em qualquer parte da circulação. Vamos começar, então, com o sangue que chega ao coração vindo dos pulmões. Lá ocorreram as trocas gasosas e o sangue que vem dos pulmões está agora rico em oxigênio (sangue arterial), que deverá ser transportado a todas as células do corpo. O sangue entra no coração pelo átrio esquerdo e é bombeado para o ventrículo esquerdo. A forte contração do ventrículo impulsiona o sangue para a artéria aorta e daí ele percorrerá todo o organismo através dos vasos sangüíneos, que vão se ramificando por todos os tecidos. Nesse percurso, o sangue vai deixando o oxigênio e recolhendo o gás carbônico. O sangue, agora rico em gás carbônico (sangue venoso) retorna ao coração, entrando, desta vez, pelo átrio direito, que o bombeia para o ventrículo direito. O sangue é impulsionado pela forte contração do ventrículo direito e chega à artéria pulmonar, por onde será levado aos pulmões. Nos pulmões ocorrerão as trocas gasosas e o sangue ficará novamente rico em oxigênio. Aí, retornará ao coração pela veia pulmonar, entrando pelo átrio esquerdo, repetindo-se todo o ciclo descrito até aqui.

Você deve ter reparado que o caminho percorrido pelo sangue, embora contínuo, ocorre em duas etapas. Numa delas, o sangue sai do coração, percorre todas as partes do corpo e volta ao coração. Na outra o sangue sai do coração, vai aos pulmões e retorna o coração, de onde será impulsionado a todos os tecidos. O trajeto do sangue que vai do coração a todas as células do organismo é chamado circulação sistêmica ou grande circulação. O caminho percorrido pelo sangue do coração até os pulmões, retornando ao coração é denominado circulação pulmonar ou pequena circulação. Vale lembrar que este percurso é cíclico e que essas etapas não ocorrem em separado.

De olho na saúde!

Você certamente já ouviu falar em ataque cardíaco. E em AVC _ acidente vascular cerebral? E em derrame? São acessos repentinos e, muitas vezes, fatais, que ocorrem em pessoas que têm problemas relacionados ao sistema circulatório. Quase sempre esses problemas são causados pelo acúmulo de gordura nas paredes internas das artérias. Esse acúmulo dificulta a passagem do sangue, que passa a circular com muito mais pressão. Esta situação é popularmente conhecida como "pressão alta" ou hipertensão. O acúmulo de gordura nos vasos sangüíneos não é a única causa da hipertensão. É por isso que pessoas hipertensas devem ter sempre acompanhamento médico.

Se os músculos do coração recebem menos sangue por causa da obstrução das artérias, suas células morrem por falta de oxigênio. É o que chamamos infarto do miocárdio. Se uma artéria que leva sangue ao cérebro ficar obstruída, alguns de seus tecidos poderão morrer. Nesse caso, ocorre um acidente vascular cerebral. Às vezes, por causa da obstrução, a pressão sanguínea faz com que um vaso se rompa, havendo uma hemorragia, conhecida como derrame cerebral. Tanto o AVC quanto o derrame podem deixar seqüelas graves, comprometendo várias funções do organismo. Os cardiologistas concordam que o consumo abusivo de alimentos gordurosos e oleosos, a hipertensão não controlada, a obesidade, a falta de exercícios físicos regulares e o fumo são fatores que predispõem as pessoas a esses graves distúrbios. Lembre-se: quem se ama se cuida!

Adaptado de CANTO, E. L. Ciências Naturais: aprendendo com o cotidiano. São Paulo: Moderna, 1999, p. 94

Excreção: é hora de pôr os resíduos para fora

Alguns dos principais resíduos do corpo humano são o gás carbônico, resultante da respiração celular e a uréia, substância produzida pelo fígado. O excesso de água, sais minerais, vitaminas e medicamentos também precisa ser eliminado para garantir o funcionamento adequado do organismo. Parte da uréia, do excesso de água e sais é eliminada pelo suor, mas o principal meio de excreção é a urina.

A excreção envolve o descarte de resíduos das atividades celulares. Portanto, você não deve confundir fezes com excretas. Na evacuação eliminamos resíduos dos alimentos que não chegaram a ser digeridos, nem absorvidos pelo corpo. Como não são resultado de atividades celulares, as fezes não são produtos de excreção.

Sendo a produção da urina o principal meio de excreção do nosso organismo, vamos nos deter a uma visão panorâmica do sistema urinário.

O sistema urinário humano é formado por dois rins, dois canais chamados ureteres, uma bexiga urinária e um canal denominado uretra, que conduz a urina para fora do corpo. Os rins estão situados próximo ao último par de costelas. Eles são controlados por um mecanismo que permite descartar na urina apenas a quantidade de água e sais minerais que pode ser eliminada sem causar prejuízos ao organismo. Os rins não apenas "filtram" as substâncias tóxicas do sangue. Além disso, encaminham de volta ao sangue tudo o que ainda é útil, reabsorvendo, inclusive, parte da água. Após esse processo, a urina produzida nos rins desce pelos ureteres até a bexiga, de onde será eliminada pela uretra.

Atividade 7

A digestão, a respiração, a circulação e a excreção atuam como processos integrados. Explique a relação existente entre elas.

Fig. 27 _ Sistema urinário.

Fonte: GONÇALVES, I. & COSTA, F. Ciências _ Passo a Passo. Vol. 4. Belo Horizonte: Dimensão, p. 76

De olho na saúde!

A ingestão insuficiente de água, além de sobrecarregar a função renal, ainda pode causar desidratação. O acúmulo de urina também é prejudicial à saúde. A bexiga deve ser esvaziada a cada 2 ou 3 horas, no máximo. Caso contrário, agentes infecciosos começam a se instalar nas vias urinárias causando infecções. Quando muito freqüentes, essas infecções podem comprometer as funções renais.

Os casos mais severos de insuficiência renal exigem que a pessoa seja submetida a uma técnica de purificação do sangue chamada hemodiálise, feita numa máquina que atua como um "rim artificial". Outro distúrbio relacionado ao sistema urinário são os cálculos renais. São "pedras" que se formam nos rins pelo acúmulo de certas substâncias presentes no sangue. Os cálculos podem ser expelidos espontaneamente ou, quando necessário, por procedimentos cirúrgicos. A ingestão de líquidos em abundância ajuda a prevenir esses problemas. Habitue-se a ingerir pelo menos 2 litros de água por dia. Cuide-se bem! Seu corpo agradece.

Seção 5: O Corpo que se Ama se Cuida e... se Reproduz!

Objetivo específico: identificar estruturas e funções dos órgãos e sistemas responsáveis pela reprodução, no corpo humano.

- Mamãe, como eu nasci?

- O médico tirou você da barriga da mamãe.

- Mas como eu fui parar na sua barriga?

- Foi o papai que colocou uma sementinha lá dentro...

- Como?

-Pra que você quer saber isso agora? Quando você crescer, a tia vai te explicar isso tudo na escola...

O diálogo acima exemplifica o constrangimento de muitos pais e professores quando deparam com o interesse de seus filhos e alunos, às vezes ainda bem pequenos, pelas questões ligadas à sexualidade e à reprodução humana. Este é um assunto delicado, porque envolve questões éticas e culturais. Em função das limitações deste texto, vamos restringir nossa abordagem aos aspectos biológicos envolvidos no desenvolvimento sexual, sem perder de vista as dimensões psicossocial, cultural e afetiva, diretamente relacionadas às questões sobre a sexualidade humana.

O impulso sexual faz com que homens e mulheres se sintam atraídos entre si e produzam descendentes, perpetuando a existência da espécie humana no planeta. Entretanto, a reprodução humana não pode ser vista apenas sob esta perspectiva. Trazer um ser humano ao mundo é uma grande responsabilidade e exige uma decisão séria. Infelizmente, cada vez mais adolescentes têm cedido aos impulsos sexuais, sem as devidas precauções. Os apelos eróticos estão presentes na publicidade, nas artes, na música, na TV e no cinema. Os resultados dessa superexposição costumam ser a frustração e o ressentimento causados por um relacionamento imaturo e inconseqüente, uma gravidez indesejada, com riscos para a saúde da mãe e do bebê, além da possibilidade de contrair doenças sexualmente transmissíveis, como a AIDS, e ocasionar inúmeros problemas sociais.

Que tal revermos o que já conhecemos a respeito da reprodução humana?

Os órgãos sexuais masculinos e femininos

O sistema reprodutor masculino produz células reprodutivas ou gametas, chamados espermatozóides. Os espermatozóides fecundam os gametas femininos, os óvulos, e dão origem a um zigoto, que vai se desenvolver até o nascimento. Numa única ejaculação um homem libera cerca de 300 a 400 milhões de espermatozóides! Vamos acompanhar o trajeto que essas pequeninas células percorrem até participarem da formação de um novo ser humano.

A produção dos espermatozóides se inicia na puberdade, por volta dos 12 ou 13 anos. Ela acontece nos testículos, localizados na bolsa escrotal. Dos testículos, os espermatozóides passam para os epidídimos, onde ficam armazenados, completando o seu amadurecimento. Durante o ato sexual, quando ocorre a ejaculação, os espermatozóides percorrem os canais deferentes. Aí se misturam às secreções da vesícula seminal e da próstata, que nutrem

Fig. 28 _ Sistema reprodutor masculino.

Fonte: GONÇALVES, I. & COSTA, F. Ciências _ Passo a Passo. Vol. 4. Belo Horizonte: Dimensão, p. 95

e dão maior mobilidade aos espermatozóides, tornando-os capazes de prosseguir em sua "viagem". Ao mesmo tempo, é liberada na uretra uma secreção que limpa os resíduos da urina, deixando o caminho limpo para os espermatozóides. Só resta agora percorrer a uretra, no interior do pênis, e chegar ao exterior do corpo. Este momento é acompanhado de contrações e sensações prazerosas e gera bem-estar e relaxamento.

O sistema reprodutor feminino tem as funções de produzir gametas, os óvulos, e abrigar o novo ser em formação até o seu nascimento. Além dos órgãos internos (útero, tubas uterinas e ovários), há a genitália externa formada pelo pudendo feminino, mais conhecido como vulva, onde se localiza o clitóris, um pequeno órgão formado por tecidos eréteis, análogo ao pênis, responsável pela transmissão dos impulsos nervosos que geram sensações de prazer sexual na mulher.

Os óvulos são produzidos pelos ovários, que também liberam hormônios, conforme já vimos anteriormente. A maturação e a liberação dos óvulos são controladas por hormônios. Este processo chama-se ovulação. Consiste na liberação de um óvulo a cada ciclo menstrual. Tem início na puberdade e termina por volta dos 50 anos, quando a mulher atinge a menopausa. Uma mulher nasce com cerca de 200.000 a 400.000 óvulos imaturos. O período em que ocorre a ovulação é chamado período fértil, por corresponder à fase do ciclo menstrual em que a mulher pode engravidar. Para que isso ocorra, os milhões de espermatozóides depositados na vagina durante o ato sexual, passam pela cavidade do útero e chegam à tuba (ou trompa) uterina. Lá encontram o óvulo maduro e, aí, ocorre a fecundação. Apenas um espermatozóide penetra no óvulo. Forma-se o zigoto e, a partir daí, serão nove meses de espera até que o novo membro da família chegue.

Fig. 29 _ Sistema reprodutor feminino.

Fonte: GONÇALVES, I. & COSTA, F. Ciências _ Passo a Passo. Vol. 4. Belo Horizonte: Dimensão, p. 96

Embora não seja muito freqüente, o ovário pode liberar mais de um óvulo. A fecundação deles por espermatozóides diferentes dará origem aos chamados gêmeos fraternos ou bivitelinos, que não são idênticos, por serem crianças diferentes, coincidentemente formadas ao mesmo tempo. Os gêmeos idênticos ou univitelinos resultam da divisão de um mesmo zigoto, isto é, são originários de um mesmo óvulo e um mesmo espermatozóide.

E quando não há fecundação? Neste caso o óvulo vai se degenerar e a mulher vai menstruar normalmente.

Nossas avós acreditavam em muitos mitos sobre a menstruação: "Não se pode comer isso ou aquilo", "Não se pode lavar a cabeça", diziam elas. Sabemos que a menstruação é um fenômeno normal, que não trará maiores transtornos, se a mulher estiver bem de saúde. Mas o que é, afinal, a menstruação? Vejamos.

Todos os meses o corpo da mulher se prepara pela ação de hormônios para receber um embrião em seu útero. Durante essa preparação, a mucosa que reveste o útero torna-se esponjosa e cheia de vasos sanguíneos que ajudarão a nutrir o bebê. Quando não há fecundação, esse revestimento perde a consistência e se desprende, sendo eliminado pela vagina, juntamente com certa quantidade de sangue. O intervalo entre uma menstruação e outra é chamado ciclo menstrual e dura, em média, 28 dias.

O primeiro dia do ciclo menstrual corresponde ao primeiro dia da menstruação. A ovulação ocorrerá em torno do 14º dia, sendo considerado o período fértil não apenas o dia provável da ovulação, mas também os quatro dias antes e depois, ou seja, do 10º ao 18º dia do ciclo. Neste período, a mulher observa um muco viscoso e espesso na vagina, que indica a proximidade da ovulação. Mulheres com ciclo menstrual bastante regular podem usar esta "tabelinha" como método contraceptivo. Basta que não mantenham relações sexuais no período fértil ou que utilizem preservativos nas relações.

Muitos outros métodos anticoncepcionais estão disponíveis hoje. A escolha do melhor método depende de acertos entre o casal e das condições físicas da mulher. Caso opte pelo uso de anovulatórios orais (pílulas) ou dispositivo intra-uterino (DIU), o médico é a pessoa mais indicada para prestar esclarecimentos. O uso de preservativos ("camisinha") é aconselhável em qualquer situação, porque além de evitar a gravidez, previne a disseminação de doenças como a sífilis, gonorréia, AIDS e outras transmissíveis pelo contato sexual. O coito interrompido consiste em retirar o pênis da vagina antes da ejaculação e não é considerado um método contraceptivo seguro. Menos comum é o uso do diafragma, um revestimento de borracha, que deve ser colocado na parte mais profunda da vagina, impedindo a passagem dos espermatozóides para o útero. Deve ser retirado cerca de 8 horas após a relação sexual. Para aumentar a sua eficácia, é recomendável o uso de geléias espermicidas.

Cabe às famílias e à escola, como espaço de promoção da saúde em seu sentido mais amplo, entender qual é o seu papel na orientação sexual de crianças e adolescentes, que possam usufruir de sua sexualidade, conhecendo e valorizando o próprio corpo e o corpo do outro, vivenciando o prazer na hora certa e com a pessoa certa, com segurança e responsabilidade.

Atividade 8

Luíza ficou menstruada no dia 15 de maio e teve relações sexuais sem nenhuma proteção nos dias 23 e 28 de maio. Ela pode ter engravidado em algum desses dias? Por quê?

 

Fonte

Texto que faz parte do Projeto Veredas Módulo 6 V. 1 - Unidade 1

 

Veja também:
Corpo Humano - Esse Velho Conhecido - Parte I
Corpo Humano - Esse Velho Conhecido - Parte III
Corpo Humano - Esse Velho Conhecido - Respostas