Centro de referência Virtual do Professor - http://crv.educacao.mg.gov.br

 

Roteiros de Atividades

Língua Portuguesa - Fundamental - 6º ao 9º


O trabalho com a inferenciação na sala de aula

CRIADO EM: 19/01/2007
MODIFICADO EM: 19/01/2007

Eixo Temático:
Compreensão e produção de textos e suportes
Tema:
Gêneros e discursos
Tópico:
0


Baixe o módulo original em PDF

 

Objetivos:

Propor um trabalho com a leitura de textos, de forma que os alunos sejam capazes de:

- Inferir uma informação implícita em um texto.
- Perceber os pressupostos e subentendidos contidos nos textos.

Providências para a realização da atividade:

Selecionar textos de diversos gêneros, em livros, revistas, jornais, “sites” (www.monica.com.br), por exemplo.

Pré-requisitos:

Os alunos já deverão ter a noção de que algumas informações não estão explícitas no texto, mas que podem ser pressupostas a partir de informações disponíveis no texto e de outras dos conhecimentos prévios do leitor.

Descrição dos procedimentos:

1. Inferenciação:

Para ser um leitor competente, o aluno deverá ser capaz de retirar do texto informações explícitas e implícitas. As informações explícitas são aquelas que se encontram na superfície do texto e são facilmente identificáveis (decodificação). Já as informações implícitas são aquelas que não estão claramente delineadas no texto, mas podem ser percebidas através das pistas lingüísticas que o texto fornece, mais os conhecimentos do leitor. Leitor perspicaz é aquele que consegue ler nas entrelinhas do texto, do contrário, ele pode passar por cima de significados importantes e decisivos para sua interpretação.

Observe a tirinha abaixo:



O diálogo estabelecido entre Hagar e um garçom, em um bar, nos fornece as pistas lingüísticas para a interpretação do texto. Através da conversa dos dois, ficamos sabendo que nosso herói odeia os ingleses e os irlandeses, mas que ama os escoceses. Logo em seguida, ele afirma: “Por falar nisso, um duplo”.

Percebe-se claramente que só com as informações explícitas (o diálogo entre Hagar e o garçom) o leitor não será capaz de interpretar a tirinha e, muito menos, perceber o que causa humor nela.

Para conseguir interpretar a tirinha, os conhecimentos de mundo do leitor deverão permitir que ele domine as seguintes informações:

- O personagem Hagar é um “Viking”, conquistador de outros povos, um beberrão incorrigível;
- Seus inimigos mais ferrenhos são os ingleses e os irlandeses, que são sempre alvos de suas invasões e conquistas;
- Ao contrário dos ingleses e irlandeses, ele ama os escoceses. Aí se encontra a “chave” da interpretação da tirinha: é na Escócia que se fabrica o melhor “Whisky” do mundo, bebida muito apreciada pelo nosso herói. É a esse país e ao seu principal produto que ele se refere, quando diz: “Por falar nisso, um duplo”.
- O leitor deverá saber, também, que duplo é uma das maneiras de servir a dose do “Whisky”.
Assim, a leitura da tirinha só acontece para o leitor que é capaz de ler as entrelinhas do texto.

Outra tirinha:



Mais uma vez o leitor precisa acionar seus conhecimentos de mundo (quando se come em restaurantes uma só pessoa paga a conta e ele pede para vir separada) para interpretar o texto.

Outros exemplos de questões que necessitam de que o leitor acione seus conhecimentos prévios, para conseguir interpretá-la:

a) Marcelo visitou o Cristo Redentor e passeou pelas areias de Copacabana. Em que cidade ele está?
b) Marina colocou o biquíni, usou o protetor solar, estendeu a toalha e deitou nas areias brancas. Onde Marina está?
c) A professora entrou na sala e disse: “Hoje vamos estudar os estados brasileiros e suas capitais”. A que aula os alunos irão assistir?

 

Após o desenvolvimento da atividade, o(a) professor(a) poderá pedir que os alunos identifiquem os conhecimentos que necessitavam possuir, para a interpretação de cada uma das proposições. Em seguida, poderá solicitar que eles elaborem outras atividades parecidas, para, em duplas, tentar interpretá-las.

2. Pressupostos

São aquelas idéias não expressas de maneira explícita, mas que o leitor pode perceber a partir de certas palavras ou expressões contidas na frase. Por exemplo: na frase “Hoje continua chovendo” pode-se ter a certeza de duas coisas: que hoje está chovendo (informação explícita) e que o verbo continua faz com que se perceba a informação implícita de que o tempo já estava chuvoso antes.

Outros exemplos:

“Papa reclama justiça para o trabalhador” (implícito: não existe justiça para o trabalhador, se existisse, não precisaria que o Papa reclamasse);

“Até estudantes universitários estão indo tentar a vida nos Estados Unidos”. (implícito: a vida no Brasil está difícil, por isso estudantes universitários estão indo trabalhar nos E.E.U.U. Se a vida está difícil para os universitários, imagine para os outros estudantes).

Encontre os implícitos das seguintes frases:

a. O tempo continua chuvoso;        e - André tornou-se um antitabagista convicto.
b. Pedro deixou de fumar;               f - Todos vieram, até Maria.
c. Maria anda triste;                         g - Julinha foi sua primeira filha.
d. João ficou rico;                            h - Pedro é o ultimo convidado a chegar à festa.

Os pressupostos devem ser verdadeiros, porque é a partir deles que se constroem as informações explícitas (por exemplo: se Pedro não fumava antes, não tem cabimento dizer que ele parou de fumar).

Na leitura e interpretação de um texto é muito importante detectar os pressupostos, pois eles são recursos argumentativos utilizados com vistas a levar o ouvinte e o leitor a aceitar o que está sendo comunicado, nesse caso ele se torna cúmplice do falante ou do produtor de texto.

Ex: de pressuposto falso:

“Os E.E.U.U. vão invadir o Iraque para apreender as armas nucleares lá existentes”.
Indicadores lingüísticos de pressupostos:

a) Certos advérbios: As notas ainda não foram liberadas (pressupostos: Elas já deveriam ter sido liberadas. As notas serão liberadas mais tarde).

b) Certos verbos: O escândalo do dossiê tornou-se publico. (pressuposto: O escândalo não era público antes).

c) As orações adjetivas: Os candidatos, que só querem defender seus interesses, não pensam no povo. (oração explicativa: todos têm interesses individuais). Os candidatos que só querem defender seus interesses não pensam no povo. (oração restritiva: nem todos os candidatos têm interesses individuais).

d) Os adjetivos: Os partidos radicais acabarão com a democracia no Brasil. (pressuposto: Os outros partidos não causarão problemas à democracia só os radicais).

Diferença entre pressuposto e subentendido: o pressuposto é um dado posto como indiscutível para o falante e para o ouvinte; o subentendido é de responsabilidade do ouvinte, pois o falante esconde-se por trás do sentido literal das palavras (pode até negar que disse).

Possíveis dificuldades:

Os alunos estarem acostumados a lidar apenas com informações explícitas (decodificação) e sentirem dificuldade na produção de inferências.

 


Roteiro de Atividade: O trabalho com a inferenciação na sala de aula
Currículo Básico Comum - Língua Portuguesa Ensino Fundamental
Autor(a): Neiva Costa Toneli
Centro de Referência Virtual do Professor - SEE-MG/2007