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- Temas Educacionais

CRIADO EM: 12/09/2006
MODIFICADO EM: 12/09/2006
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: HISTÓRIA DAS INSTITUIÇÕES ESCOLARES - PARTE III


Luciano Mendes de Faria Filho

Atividade 12

Se você pudesse interferir profundamente no calendário escolar de sua escola, que aspectos você mudaria? E qual seria o teor da mudança em cada um dos aspectos?

A discussão sobre os saberes escolares pode ser enriquecida pela integração dessa análise com aquelas desenvolvidas nos textos de Identidade Cultural e Sociedade e de Currículo, deste mesmo volume. Você poderá ainda reler os textos do Eixo Integrador e dos Seminários de Ensino e Pesquisa do Volume 1 deste Módulo 3, que também tratam das características e da construção do saber escolar.

Intimamente relacionados a essas duas dimensões que acabamos de ressaltar, ou seja, os espaços e os tempos, estão os conhecimentos escolares. Muitas vezes, somos levados a crer que tal ou qual conhecimento deve ser ensinado na escola porque é importante, e pronto! É como se os conhecimentos não tivessem a sua história. Ledo engano! Os conhecimentos, todos eles, são históricos, e a sua importância maior ou menor no currículo também tem uma história. Eles não foram parar aí naturalmente; alguém os conduziu até essa situação, alguém os produziu como conhecimentos escolares.

Para que possamos ter uma idéia de como os conhecimentos escolares mudam com o tempo, vamos dar um pequeno exemplo ocorrido na história da Educação mineira. Vejamos.

O programa de ensino preconizado pela Lei nº 13 de 1835, a primeira que organizou o ensino na Província de Minas Gerais, incluía "ler, escrever, a prática das quatro operações, aritmética até proporções e noções gerais de deveres morais e religiosos" para os meninos, e "ler, escrever, a prática das quatro operações aritméticas, ortografia, prosódia, noções gerais de deveres morais, religiosos e domésticos" para as meninas.

Já o programa de ensino instituído pela reforma de 1906, implantado com a Reforma João Pinheiro, englobava Leitura, Escrita, Língua Pátria, Aritmética, Geografia, História do Brasil, Instrução Moral e Cívica, Trabalhos Manuais, Canto, História Natural, Física, Exercícios Físicos e Higiene, distribuídos ao longo de um curso de quatro anos de duração.

Enquanto o programa de 1835 ocupava quatro linhas de uma página, o programa de 1906 ocupava nada menos que 28 páginas de um impresso oficial, especialmente publicado com a finalidade de divulgá-lo. Só para podermos dimensionar a proposta, veja como ficava o horário de aulas do primeiro ano em 1906:

Podemos nos perguntar: que mudanças teriam ocorrido na sociedade mineira que justificavam a escolarização de "novos" conhecimentos na magnitude observada? O que havia acontecido com a escola nesse período? É preciso dizer, inicialmente, que várias podem ser as respostas, pois vários são os fatores envolvidos nessa questão.

Por um lado, é preciso considerar que houve uma importante mudança no lugar da escola na sociedade. Foi no decorrer do século XIX que, no Brasil, a escola foi produzida como instituição de fundamental importância na cena social, sobretudo nos meios urbanos. Num projeto em que em se engajaram variados sujeitos (professores, literatos, juristas, políticos em geral, médicos, jornalistas) pertencentes a diversos estratos sociais e grupos profissionais, a escola foi lentamente sendo produzida como a instituição capaz não apenas de instruir e educar a infância e a juventude, mas também de produzir um país ordeiro, progressista e civilizado.

Por outro lado, é preciso considerar a crescente complexidade da sociedade em que essa escola estava inserida e _ por que não? _ que ela ajudava a construir. Não por acaso, também no Brasil a defesa da escola para uma parcela maior da população, ao longo dos dois últimos séculos, esteve intimamente relacionada à constituição do Estado nacional e da nação brasileira.

À crescente complexidade da sociedade brasileira e das funções demandadas socialmente à escola, ou produzidas para ela pelos defensores da escolarização, corresponde, por seu turno, uma complexidade cada vez maior da escola como instituição. Como podemos ver, a escola, os espaços, os tempos e os conhecimentos escolarizados mudaram muito ao longo da história e, felizmente, continuam mudando até hoje, não é mesmo?

Procuramos, nesta unidade, tratar de algumas das dimensões dessa instituição que se tornou complexa e se difundiu nos últimos séculos. É dela também que continuaremos a tratar nos textos, exercícios e sugestões de leituras que se seguem e, sobretudo, na próxima unidade, em que focaremos a temática da Organização do Trabalho Escolar.

Atividade 13

Depois de você ter estudado um pouco da história das instituições escolares, gostaríamos agora de convidá-lo a realizar uma atividade muito interessante: que tal pesquisar a história da educação em sua cidade e a de sua escola, em particular? Aliás, quem sabe esse tema não poderia dar origem ao seu problema de pesquisa, para a elaboração da Monografia?

No Volume 4 do Módulo 1, o texto de Sistema Educacional no Brasil aborda a questão da organização dos tempos escolares, na LDB atual, focalizando particularmente a organização em ciclos ou séries. Confira!

Conclusão

Nesta unidade, em História da Educação, dedicamo-nos ao estudo da história da instituição na qual trabalhamos: a escola. Vimos o momento de fortalecimento e as condições sociais, políticas, culturais e econômicas que propiciaram a expansão da escolarização.

Estudamos, em primeiro lugar, a emergência da escola como instituição social no mundo ocidental. Vimos que foi sobretudo a partir dos séculos XV e XVI, momento de expansão do comércio, das grandes navegações, do renascimento da vida urbana e cultural, que a defesa da escola começou a se fazer de forma mais veemente.

O fortalecimento e a expansão da escola não se fazem, no entanto, de forma tranqüila. Os conflitos sempre estiveram presentes. A escola desloca outras instituições do centro da socialização, particularmente a família, a Igreja e o mundo do trabalho. A cultura escolar é outra, diferente daquela da família e da Igreja. O tempo de freqüência à escola é um tempo "roubado" à família e, sobretudo, ao trabalho.

Não é por acaso, portanto, que o tempo da escola compete com outros tempos sociais. Para que a criança permaneça na escola, é preciso que se mudem as concepções acerca do lugar da criança na sociedade e, sobretudo, que mesmo lentamente se vá proibindo o trabalho infantil.

Nessa perspectiva, a moderna noção de criança, que entende a infância como etapa distinta da vida adulta e momento de formação, por excelência, do sujeito humano, é, em boa parte, fruto da forma escolarizada de conceber o mundo, as relações sociais e o próprio ser humano.

Mas para que a escola se configurasse numa instituição social distinta das outras, foi preciso não apenas constituir o seu próprio tempo, mas também construir o seu espaço simbólico e material no seio da sociedade. Nas cidades, as escolas começam a competir, do ponto de vista simbólico, com outros espaços e símbolos tradicionais de educação e cultura. Constroem-se, agora, não apenas os templos para veneração aos deuses, mas também templos de culto ao saber.

Tais espaços, na medida do desenvolvimento da escolarização, vão tomando cada vez mais uma feição própria, com uma arquitetura específica e uma simbologia particular. Neles, e por meio deles, a cultura torna-se sinônimo de escolarização, e a não-freqüência à escola passa a significar ignorância e barbárie.

O nosso legado é, portanto, o de uma instituição que nunca foi neutra, pois sempre encarnou políticas e projetos sociais. Por isso, construir e reinventar a escola implica _ não podemos esquecer _ articular os nossos projetos pedagógicos com projetos sociais, políticos e culturais mais amplos. São estes, afinal, que garantem a longevidade ou não de nossas proposições.

Bibliografia

MATTOS, I. H. Tempos de Saquarema. 2.ed. Rio de Janeiro: Acces, 1994.

Texto de Referência

Indicação Bibliográfica

LOPES, E. M. T. & GALVÃO, A. M. de O. História da Educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2001. p.15-24.

Roteiro de Atividades

Atividade 1

Segundo o seu ponto de vista, o conhecimento de História da Educação pode ajudar o professor a entender o momento presente da Educação brasileira e atuar nele? Justifique a sua resposta.

Atividade 2

A) Por que as a autoras afirmam que "o estudo da História da Educação proporciona uma abertura semelhante àquela proporcionada pelas viagens"?

B) Você concorda com elas? Justifique a sua resposta.

Atividade 3

Com base no texto e em seus conhecimentos, responda: quais as principais diferenças entre a educação "geocêntrica" e a educação "antropocêntrica", reabilitada pela Renascença?

 

Fonte

Este texto faz parte do Projeto Veredas, Módulo 3, V. 2

 

Veja também:
História das Instituições Escolares - Parte I
História das Instituições Escolares - Parte II
História das Instituições Escolares - Respostas