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CRIADO EM: 24/03/2006
MODIFICADO EM: 24/03/2006
: ALFABETIZAÇÃO EM MINAS GERAIS: ADESÃO E RESISTÊNCIA AO MÉTODO GLOBAL - Parte II


Francisca Maciel

LIÇÕES DE MINAS

Pelo que foi exposto, constata-se que uma parte da história da alfabetização em Minas Gerais (con)funde-se como o paradigma do método global e sua divulgação está relacionada à atuação de uma professora: Lucia Casasanta.

Lucia Casasanta foi uma das cinco professoras incumbidas de se especializar na Universidade de Colúmbia. No período em que esteve em Nova Yorque, procurou especializar-se em metodologia da linguagem; estudou e vivenciou práticas do método global nas classes de demonstração e escolas anexas do Teacher's College da Universidade de Colúmbia. Ao retornar, assumiu a cadeira de Metodologia da Linguagem e foi uma das fundadoras da Escola de Aperfeiçoamento, em 1929. Da Escola de Aperfeiçoamento até sua aposentadoria no curso de Pedagogia no Instituto de Educação de Minas Gerais, no final dos anos 70, Lucia Casasanta foi a grande responsável pela divulgação do método global de contos. A professoras acreditava no método global de contos como o mais adequado par a aprendizagem inicial da leitura para crianças e, durante cindo décadas (20/70), formou várias gerações de alfabetizadoras.

Segundo Anita Fonseca, a autora d'O Livro de Lili, Em Minas, desde algum tempo, se vem adotando o método global pelo processo de "contos ou historietas". Devemos, porém, a sua divulgação entre nós, com técnicas mais aperfeiçoamento, à professora Lucia Casasanta, que, a partir de 1929, através de eficiente curso de Metodologia da Língua Pátria, ditado na Escola de Aperfeiçoamento de Belo Horizonte, vem imprimindo nova e inteligente orientação ao ensino dessa matéria, baseando-se em sólidos princípios científicos22.

Por essas razões, torna-se impossível falar da alfabetização em Minas sem mencionar os pressupostos do método global e sua vulgarização entre o professorado mineiro e o trabalho da professora Lucia Casasanta.

Procurando sanar a dificuldade relativa à falta de um livro didático destinado à alfabetização das crianças pelos princípios do método global, a professora Lucia Casasanta, responsável pela cadeira de Metodologia da Língua Pátria da Escola de Aperfeiçoamento, promoveu entra as alunas do segundo ano, um concurso para produção de um pré-livro. A produção do pré-livro deveria atender a todos os pré-requisitos estudados, pesquisados e comprovados cientificamente pelos pesquisadores americanos e europeus, tal como a professora abordava nos conteúdos de sua disciplina.

Em que diferenciava o pré-livro das cartilhas? De acordo com Lucia Casasanta, como o próprio nome diz, é um pré-livro que vai iniciar a criança no aprendizado da leitura, e é também um pré-livr porque ele vai sendo construído pelos alunos. Inicialmente, o aluno recebe a capa do livro e as lições vão sendo agregados à medida que são trabalhadas, de modo que, ao findar todas as lições, o aluno compõe o seu pré-livro.
Essa maneira de ir construindo o pré-livro ao longo do tempo com as lições foi a forma que a professora encontrou para atender aos anseios dos professores mineiros em busca de suporte pedagógico, ou seja, o livro didático. Essa foi uma estratégia da professora de não ir demasiadamente contra os princípios do método global, no qual, segundo os idealizadores, não devia utilizar cartilha, ou material pronto, as lições deveriam ser compostas pelo grupo de alunos de acordo com os centros de interesse, tal como propunha Decroly.

Lucia Casasanta defendia o uso da palavra "pré-livro", pois, em sua opinião, a palavra cartilha estava associada aos métodos tradicionais em que o 'saber ler' se reduzida em traduzir em sons os símbolos da página escrita. A cartilha já era um livro pronto, com textos 'fabricados' com o objetivo de se trabalhar determinado vocábulo, não levava em conta os interesses das crianças. Diferentemente, o pré-livro era indicado como um material didático básico para iniciar o aluno na aprendizagem da leitura e era um material desenvolvido e acrescido com o uso de jogos, leituras suplementares e intermediarias.

Os pré-livros produzidos pelas alunas na Escola de Aperfeiçoamento eram "testados" nas "Classes de Demonstração" da referida escola. Assim as alunas-mestras iam verificando seus conhecimentos e aprimorado as técnicas de aplicações da nova metodologia. Dos pré-livros confeccionados pelas alunas, merece destaque O Livro de Lili de autoria de Anita Fonseca. A autora foi uma das alunas da primeira turma da Escola de Aperfeiçoamento. O protótipo d' O Livro de Lili foi inicialmente 'testado' nos anos 30, nas 'classes de demonstração' e nas principais escolas da capital mineira.

Depois de ser testado, aprovado e apresentar altos índices de promoção dos alunos novatos no ano de 1934, o índice de aprovação foi de 26%, em 38, 41% e em 1939, 45,8% 23, O Livro de Lili foi editado oficialmente, pela primeira vez, no ano de 1940, pela Livraria Francisco Alves, e a partir dos anos 59 a ser editado pela Editora do Brasil S.A. O Livro de Lili apresenta algumas especificidades em relação à maioria dos materiais na época: um dos primeiros materiais didáticos que apresenta o manual do professor, em um volume, separado do livro do aluno. Esse aspecto iremos detalhar em nossa análise. Outra inovação: o material didático era acompanhado de maneiras suplementares, como cartazes para uso do professor em sala de aula. O livro do aluno ia sendo composto ao longo do processo de alfabetização, após trabalhar cada historieta, além disso fazia parte do seu material um caderno com fichas para recortar e remontar as lições trabalhadas.

Nos anos 30, a Revista do Ensino tinha uma seção destinada à análise da produção editorial pedagógica, onde o crítico Abel Fagundes apresentava a crítica de livros destinados á formação de professores e de livros didáticos. Ao analisar livros destinados à alfabetização, as críticas mais severas recaiam sobre o fato de se ter um único livro destinado tanto aos professores quanto aos alunos, além, é claro, de criticar os livros que não estavam de acordo com os princípios do método global. Desse modo, Anita Fonseca não incorreu neste 'erro pedagógico'.

O Livro de Lili manual da professora é um verdadeiro tratado metodológico sobre o método global. O manual é prefaciado por Lucia Casasanta, professora e orientadora da produção didática de Anita. De acordo com Casasanta, a fundamentação teórica do método global em Minas Gerais foi inspirada nos estudos sobre a percepção visual, no campo de psicologia infantil, baseados em Claparède, Revault D'Allones, Decroly e Piaget; no campo da psicologia da leitura, as pesquisas de Valentius, Castell, Goldscheider, Muller, Dearborn, Bowden e Bogg, e as contribuições das pesquisas de Judd, Busvell, Gray, Schmidt, Docheray e outros, da Universidade de Chicago sobre os hábitos fundamentais de leitura.

No manual, a autora aborda os valores psico-pedagógicos dos métodos global ou analítico e justifica a sua opção pelo 'método global' em detrimento do 'sintético'. Sobre a aprendizagem da leitura são descritas atitudes e atividades que deverão ser desenvolvidas pelas professoras no período da adaptação, nessa fase, a professoras procurará conhecer melhor os seus alunos, desenvolver-lhes a linguagem oral e o pensamento, bem como a atenção, a percepção visual, as coordenações motoras, etc. (p.19). Em seguida a autora descreve o desenvolvimento psicológico das fases do método global, bem como o processo e os procedimentos a serem utilizados para a aprendizagem da leitura pelo método global de contos ou historietas. Esse último termo é o que melhor se adequa ao Livro de Lili. Segundo Casasanta (1956), a aprendizagem da leitura pelo método global de contos ou historietas envolve cinco frases: fase do conto; fase de sentenciação; fase das porções de sentido; fase da palavração e a fase de silabação ou dos elementos fônicos.

Em cada uma das onze historietas24, compostas entre cinco a sete sentenças, a professora e os alunos deverão seguir cuidadosamente as cinco fases do método, e acrescidas das atividades complementares de leitura, escrita e interpretação sugeridas no manual. Em momento algum das instruções dadas aos professores recomenda-se o uso para reconhecimento das vogais e das consoantes. O livro termina com sugestões de atividades avaliativas de sentenças, palavras e sílabas. O manual finaliza com uma lista em ordem alfabética do vocabulário do Livro de Lili e a freqüência de cada palavra e uma bibliografia, com citações de obras de vários pesquisadores citados no Prefácio.

Ao analisarmos algumas edições do Livro de Lili, para os alunos, considerando a dificuldade de se dispor das primeiras edições, constatamos alterações que merecem ser descritas: até 25º edição elas foram editadas pela Livraria Francisco Alves, e às edições de números: 33ª (1958) e 136ª (1964) que foram editadas pela Editora do Brasil25.

Comparando o número de edições d'O Livro de Lili editado pela Editora do Brasil S/A26, com a data de publicação, verifica-se que, em três anos de uso, - 1958-61 -, foram editadas 54 edições. Esse número continua alto na década de 60, entre os anos de 61-64, pois foram 49 edições. Esses dados nos levam a tecer alguns comentários em primeiro lugar, O Livro de Lili pode ser considerado um dos best-sellers da historia da alfabetização de Minas. Esta razão já é suficiente para que esta cartilha seja melhor investigada, analisada em suas várias edições, ilustrações e apropriações bem sucedidas por professores e alunos. E, aliado a isso, outro motivo para uma análise investigativa seria tentar apreender as causas da aceitabilidade do material didático entre o professorado mineiro e o saudosismo aos alunos que foram alfabetizados com o Livro de Lili.

As informações de que dispomos, principalmente através de depoimentos de professoras alfabetizadoras, são de que O Livro de Lili deixou de ser editado somente no final da década de 6027.

Esses dados também nos levam a indagar: Como explicar essa enorme aceitabildade de um material didático fundamentação nos princípios escolanovistas em um momento histórico em que se criticavam o uso do método global? Como explicar o utilização d'O Livro de Lili, quando já se propagava e editava, nos anos 60, cartilhas fundamentais no método eclético, e posteriormente, a difusão de que o melhor método para alfabetização era o método fônico?

CONSTRUINDO A HISTÓRIA DA ALFABETIZAÇÃO EM MINAS

Nessas considerações finais, o que podemos dizer é que a alfabetização em Minas está apenas sendo iniciada no seu resgate histórico, e este trabalho tem como um dos seus objetivos sensibilizar os pesquisadores para o muito do que é preciso ser feito para/na história da alfabetização, leitura e escrita, de Minas e do Brasil.

Constatamos, ainda, que a "adesão" ao método global, ao contrário do que supunham seus idealizadores, naquela época, não foi tranqüila. Relembremos as denúncias apresentadas nos relatos dos professores evidenciados as dificuldades de se pôr em prática o novo método de alfabetização bem como a falta de material didático adequado e o despreparo dos professores. Contrapondo-se a tais críticas, encontramos também artigos e relatos dos adeptos que procuram demonstrar a superioridade do método global e amenizar a resistência à nova metodologia, propondo "adaptações ", confeccionando matérias didáticos, oferecendo cursos de capacitação aos professores e defensores de uma nova concepção de uso do livro didático, como Fernando de Azevedo, em um artigo publicado em 1934, cujo título e A escola nova e o livro. Nele, o autor argumenta que o livro de leitura na escola tradicional é um instrumento que escraviza o aluno e, na escola nova, esse instrumento é apenas um meio.

Neste embate, visualizando a correlação entre a história da alfabetização através dos pressupostos do método global, a partir dos anos 20, e o momento em que estamos vivenciando. Atualmente, muitos educadores também consideram este um momento histórico. "Revolucionário" na alfabetização, principalmente, a partir das pesquisas sobre a psicogênese da língua escrita, de Emilia Ferreiro e colaboradores, traduzida no Brasil, no final da década de 80.

O 'novo' paradigma de ensino-aprendizagem coloca o aluno como centro do processo de aprendizagem e o professor, como mediador entre o aluno e o objeto de conhecimento. Essa concepção traz à tona as discussões sobre o "poder" atribuído aos livros didáticos. No centro dessas discussões estão as análises dos livros didáticos realizados pelo Plano Nacional do Livro Didático - PNLD/MEC, no ano de 1997, de um total de 42 títulos de livros para a alfabetização, doze foram aprovados, mas nenhum foi recomendado com distinção (PNDL/1998). E no Guia de livros didáticos (PNDL/2001)28 não foi diferente: dos 22 títulos indicados para a alfabetização de crianças, novamente nenhum recebeu aprovação com distinção e a maioria, ou seja, 77% dos livros, foi recomenda com ressalvas, Resta-nos indagar: estarão os professores preparados para atuar dentro desse 'novo' paradigma sem um bom suporte pedagógico? Os indicativos são de que estamos re-vivendo, com algumas modificações, um movimento de renovação que muito se assemelha ao que a educação brasileira vivenciou com a escola nova. Estarei enganada? Por essas e outras razões é que devemos investigar, pesquisar, conhecer e construir a história da alfabetização de Minas e do Brasil.

NOTAS
1. Teses e dissertações produzidas em outras áreas. Psicologia: Dietrish, Mary Julia; Lingüística: Silva, Mariza Vieira da. (1998).
2. Dados atualizados da pesquisa ALFABETIZAÇÃO NO BRASIL: O ESTADO DO CONHECIMENTO, coordenada pelas profs. Magda Soares e Francisca Maciel.
3. Os dados referentes às teses e dissertação da década de 90 são parciais.
4. Carvalho, Silva A S. de. O ensino da leitura e da escrita: o imaginário republicano (1890-1920). São Paulo: Puc/São Paulo. 1998. 110 p.
5. Soares. (1985)
6. Os dados de que disponho informam que a primeira edição data de 1940.
7. É importante ressaltar que as escolas particulares representavam 20% do total dos alunos da rede pública. O ensino primário estava praticamente sob a responsabilidade dos governos estaduais.
8. Lourenço Filho, Introdução ao Estudo da Escola Nova, 8ª ed. São Paulo, Editora Melhoramentos, 1962, p. 172 I.
9. Sobre esse assunto ver a publicação: Escola Paulista de Sul Menucci e a tese de Magnani.
10. Mourão, Paulo Kruger Corrêa. O ensino em Minas Gerais no tempo da República (1889/1930). Belo Horizonte: Edição do Centro regional de Pesquisas Educacionais. 1962:106
11. Revista do Ensino: 8/3/25:16-18.
12. Alda Loddi, Amélia de Castro, Benedita Valadares, Ignácia Guimarães e Lucia Schimith, mais tarde, Lucia Casasanta.
13. Regulamento do Ensino Normal, Exposição de Motivos. P.7.
14. Apontamentos pessoais de Lucia Casasanta.
15. Revista do Ensino (2)41-2,1925.
16. Revista do Ensino (10) 19-26, 1926.
17. Decreto N. 8094, de 22/12/1927. Instruções e Programas do Ensino Primário do Estado de Minas Gerais. Belo Horizonte - Imprensa Oficial do Estado de Minas - 1929.
18. Ibidem.
19. Lessa (1929),
20. Revista do Ensino Novo 1929
21. Azevedo, Fernando. O livro e a escola nova. Belo Horizonte. Revista do Ensino, 101:64-65.1934.
22. Fonseca, Anita. O Livro de Lili, manual da professora. 2ª edição. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1942:17.
23. Fonseca, Anita. O Livro de Lili, manual da professora. 2ª edição. Rido de Janeiro: Francisco Alves 1942:18
24. Lili, O piano de Lili, As meias de Lili, Joãozinho e Totó, A cozinheira, o burrinho Mimoso, Ai, ai! Mimoso, As bonecas de Lili, Suzete, O retrato de Lili e O passeio na roça.
25. Não possuímos maiores informações a respeito da mudança do Livro de Lili da Francisco Alves para a Editora do Brasil.]
26. Solicitei várias vezes a essa editora que me fornecesse o número de edições e a quantidade de volumes editados d'O Livro de Lilil e outras cartilhas, mas nenhum dado foi fornecido.
27. A partir de meados da década de 50, O Livro de Lili passa a concorrer com outro pré-livro, da mesma editora, de autoria de sua ex-professora Lucia Casasanta: Os Três Porquinhos da coleção As Mais Belas Histórias, cuja 1ª edição é do ano de 1954.

REFERÊNCIAS

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Garnaliel Herval - Advogado e professor, nasceu em Coromandel, a 23 de agosto de 1940. Iniciou seus estudos na terra natal, fez o curso secundário em Araguari e o clássico no colégio Marconi, em Belo Horizonte. Formou-se em Direito pela Universidade Católica de Minas Gerais, tendo sido dirigente estudantil e presidente do diretório Central dos Estudantes. Fez carreira como advogado na capital mineira, na Justiça Militar em Juiz de fora e na Assembléia Legislativa. Professor de Direito Constitucional na PUC/MG, foi Vice-reitor e Reitor por dois mandatos. Secretário da Associação Brasileira de Escola Católicas e presidente do Conselho de Reitores da Universidade Brasileiras e Secretário de Educação Superior do Ministério da educação. Ocupou os cargos de Procurador-Geral do Estado de Minas Gerais e Secretário de Justiça, durante o governo de Newton Cardoso. Com o mesmo Governador, assumiu em 2 de fevereiro de 1990 o cargo de Secretário de Estado da educação, nele permanecendo até 15 de março de 1991.

Walfrido Silvinho dos Mares Guia Neto - É empresário e nasceu em Santa Bárbara. Foi Secretário Municipal de Planejamento de Belo Horizonte de abril de 1983 a maio de 1985, quando assumiu, a convite do Governador Hélio Garcia, o cargo de Secretario de Estado da Reforma Administrativa e Desburocratização. Foi Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia e maio de 1986 a março de 1987, acumulando o cargo de presidente do Centro Tecnológico de Minas Gerais - CETEC. Em 18 de março de 1991, tendo novamente Hélio Garcia como governador, foi nomeado Secretario de Estado da Educação, cargo que exerceu até 26 de agosto de 1994. Foi Vice-governador e Secretário de Estado do Planejamento e Coordenação Geral durante o governo de Eduardo Azeredo. Elegeu-se deputado federal em 1998.

Ana Luíza Machado Pinheiro - Nasceu em Belo Horizonte, em 9 de maio de 1947, Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Geral e pós-graduada João Pinheiro, especializou-se em Consultoria Organizacional pelo SENAC. Trabalhou como especialista em planejamento e gestão nas Secretarias de Estado da Educação, da Fazenda da Reforma Administrativa e Desburocratização, e da Administração (1971-1988). Foi consultora em organização de empresas para os setores público e privado. Foi Secretaria Adjunta de Educação de Minas Gerais de 1991 a 1993 e nomeada Secretaria de Estado da Educação em 26 de agosto de 1994, no governo Hélio Garcia. No governo seguinte, de Eduardo Azeredo, foi confirmada no cargo, em 1º de janeiro de 1995, permanecendo nele até 1997. Logo depois, assumiu a direção do Escritório Regional de Educação da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) para a América Latina e o Caribe, com sede em Santiago do Chile. Autora de diversos artigos sobre educação publicados em livros, jornais e revistas especializadas, participa como conferencista de inúmeros congressos e seminários nacionais e internacionais.

João Batista dos Mares Guia - Nasceu em Santa Bárbara, a 25 de junho de 1948. Empossado Secretário de Estado da Educação no governo Eduardo Azeredo, em 13 de agosto de 1997, ficou no cargo até 31 de dezembro de 1998. Foi Secretário Adjunto da Educação no período de janeiro de 1995 a agosto de 1997. Formado em Sociologia e com mestrado em Ciência Política, foi Secretário Municipal da Educação de Contagem, entre 1989 e 1992. Foi presidente da União dos Dirigentes Municipais da Educação (Undime) e ainda Vice-prefeito e Secretário Municipal do Meio Ambiente de Contagem, entre 1993 e 1994. Sua atividade política começou em 1967, quando foi eleito presidente da União Estadual de Estudantes de Minas Gerais (UEE-MG). Na época, participou da organização de passeatas estudantis em Belo Horizonte e no interior de estado. Entre 1977 a 1980 trabalhou como pesquisador da Fundação João Pinheiro. Em 1982 foi eleito deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores. Deixa o PT em 1985, optando pela social democracia e com críticas ao modelo marxista. Em 1988, participou da fundação do PSDB.

Murílio de Avellar Hingel - Nasceu em Petrópolis (RJ), em 5 de abril de 1933 e, ainda na infância, mudou-se com a família para Juiz de Fora (MG), onde iniciou e concluiu sua formação acadêmica. Começou a trabalhar como professor voluntário, ainda no tempo de estudante, na antiga Campanha Nacional de Educandários Gratutitos (CNEG). Licenciou-se em Geografia e História e Didática pela Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora, especializando-se depois em ensino de primeiro e segundo graus de planejamento educacional. Lecionou por vários anos em escolas públicas e particulares e na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), onde exerceu os cargos de coordenador do curso de Pedagogia, presidente da Câmara de Ensino e Pesquisa, diretor da Faculdade de Filosofia e Letras e da Faculdade de Educação. Foi Secretário Municipal de Educação de Juiz de Fora, de 1967 a 1973. Atuou como assessor técnico do Ministério da Educação e do Desporto. Em outubro de 1992, assumiu o cargo de Ministério de Estado da Educação e do Desporto, no qual permanecerá até o final do governo Itamar Franco, em 31 de dezembro de 1994. Em sua gestão iniciou uma série de programas que promoveram verdadeira revolução no setor educacional brasileiro: descentralização da merenda escolar, avaliação e descentralização do livro didático, o Sistema de Avaliação da Educação Básica, Programa Nacional de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente, Sistema Nacional de Educação Tecnológica, Plano Decenal de Educação para Todos, Construção de 450 Centros de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (CAIC), avaliação interna e externa das universidades e muitas outras ações. Promoveu a efetivação de grandes investimentos nas universidades federais e a criação de duas delas, a UFLA, de Lavras, e a Unifesp (São Paulo), ampliação da rede federal de educação técnica e tecnológica (Cefet, escolas técnicas e agrotécnicas), reorganização da FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), com ampliação dos recursos por medidas administrativas, implantação e fortalecimento de programas da FAE (Fundação de Apoio ao Estudante), realização da Conferência Nacional de Educação para Todos (1994) e o conseqüente Pacto Nacional de Valorização do Magistério e ampliação dos programas a cargo da CAPES, criação da Secretaria Nacional de Educação Especial. Também marcaram sua gestão no Ministério da Educação: a discussão com a sociedade, de forma ampla e restrita - das materiais propostas no campo educacional, financiamento aos Estados, ao Distrito Federal e aos municípios com base em sistemática operacional que visava à correção de distorções regionais - dentro dos princípios da equidade - reaparelhametno das Delegacias Regionais do MEC, incentivo ao esporte educacional, luta em favor da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, extinção do Conselho Federal de Educação e criação do Conselho Nacional de Educação, estímulo à função de extensão das universidades, atualização e ampliação do Crédito Educativo. Em 1º de janeiro de 1999, assumiu o cargo de Secretaria da Educação de Minas Gerais. Logo no inicio de sua gestão, promoveu mudanças estruturais, reformulou a educação fundamental, implantou a política de "educação para a vida com dignidade e esperança", implantou o Programa Bolsa Familiar para a Educação beneficiando 10 mil famílias no Vale do Jequitinhonha, assim como o Sistema Mineiro de Avaliação da Escola Pública (Simave) e iniciou a implantação efetiva de centros de educação profissional.

Segunda parte do texto que se iniciou na parte I

Fonte

Este texto faz parte do documento da SEE-MG - Lições de Minas publicado nas comemorações dos 70 da Secretaria de Educação.

 

Veja também:
Alfabetização em Minas Gerais: adesão e resistência ao método global - Parte I