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Orientações Pedagógicas

História - Ensino Médio


Circuitos do tráfico de escravos (Novo Mundo, África e Europa)

CRIADO EM: 17/02/2009
MODIFICADO EM: 17/02/2009

eixo temático i
MUNDO MODERNO, COLONIZAÇÃO E RELAÇÕES ÉTNICO-CULTURAIS (1500 – 1808)
Tema 2
Escravidão e comércio no mundo moderno
Tópico 2
Circuitos do tráfico de escravos (Novo Mundo, África e Europa)
Habilidades

2.1 Compreender e analisar a importância do alargamento das antigas rotas comerciais e o ressurgimento e expansão do comércio, as novas mercadorias e o tráfico de escravos

2.2 Identificar a origem étnica e geográfica dos escravos trazidos para o Brasil.

2.3 Estabelecer relações entre escravismo colonial e capitalismo

Porque ensinar

Não bastasse a relevância do tema em si, o estudo do alargamento das antigas rotas comerciais auxilia o aluno na compreensão de uma série de outras questões: as políticas econômicas dos Estados europeus, com destaque para as práticas mercantilistas; a busca por colônias no ultramar; as diretrizes básicas da administração dos territórios conquistados; dentre outros.

É interessante aos alunos conhecerem também que tipos de produtos eram valorizados à época, até como forma de estudar os hábitos alimentares, a carência de gêneros que hoje são oferecidos em abundância, como açúcar e temperos, saber quais os produtos eram mais cobiçados dada a rentabilidade das vendas, etc.

Outra justificativa importante sobre o por quê trabalhar esta temática diz respeito a reintrodução do trabalho escravo em larga escala no Ocidente. Quais as razões para tal fato? Quem eram os maiores beneficiados com o tráfico negreiro? São questões a serem respondidas.

Condições prévias para ensinar

É preciso que o professor esteja familiarizado com alguns temas referentes ao contexto europeu entre os séculos XV e XVI, em especial: a desintegração do modo de produção feudal; o crescimento do comércio em nível local e com regiões do Oriente; o crescimento demográfico observado; a escassez de metais preciosos no continente; os motivadores da expansão marítima e as razões do pioneirismo lusitano, dentre outros.

O que ensinar

É necessário assinalar a importância assumida pelo comércio com as Índias Orientais para Europa – atividade esta primeiramente monopolizada por algumas Cidades-Estado italianas e grupos árabes. A partir daí, será mais fácil para o aluno compreender, por exemplo, a ansiedade dos portugueses em encontrar uma rota para o Oriente fora do Mar Mediterrâneo (via costa africana). A mudança do eixo comercial do Mediterrâneo para o Atlântico ao longo do século XVI é outro ponto fundamental.

Elementos igualmente importantes para o estudo são: as motivações que levaram alguns europeus à conquista de territórios no ultramar, mesmo se tratando de uma empreitada bastante arriscada e de resultados incertos, ao menos a princípio. Além de compreender os fundamentos gerais das políticas mercantilistas em destaque à época.

Como ensinar

Atividade 1 

Fonte da imagem: www.gastronomias.com

Texto 1

“Antes deste nosso descobrimento da Índia, recebiam os mouros de Meca muito grande proveito com o trato da especiaria. E assim, o grão soldão [sic], por amor dos grandes direitos que lhe pagavam. E assim ganhava muito a senhoria de Veneza com o mesmo trato, que mandava comprar a especiaria de Alexandria, e depois a mandava vender em toda a Europa”

CASTANHEDA, Fernão Lopes. História do descobrimento e conquista da Índia pelos portugueses, livro II, cap. 75, apud SÉRGIO, Antônio. Breve interpretação da história de Portugal, 4 ed. Lisboa; Sá da sta,1975.

• Instruções: em um primeiro momento, o professor pode pedir aos alunos que identifiquem, através da imagem, quais eram as chamadas especiarias. Pode ainda completar a lista, falando sobre, por exemplo, os panos e porcelanas orientais que eram igualmente cobiçados. Paralelamente, os textos 1 e 2 podem ser usados como fontes para que o aluno conheça as motivações que levaram os portugueses a se aventurarem na descoberta de um caminho para as Índias orientais fora do rota mediterrânica, então dominada por árabes e Cidades-Estado da península itálica. E porque aqueles produtos eram tão valorizados.

Texto 2

“A Europa Ocidental da Idade Média foi uma civilização carnívora. Grandes quantidades de gado eram abatidas no início do verão, quando as forragens acabavam no campo. A carne era armazenada e precariamente conservada pelo sal, pela defumação ou simplesmente pelo sol. Esses processos, usados também para conservar o peixe, deixavam os alimentos intragáveis, e a pimenta servia para disfarçar o que tinham de desagradáveis. Os condimentos representavam também um gosto alimentar da época, como o café, que bem mais tarde passou a ser consumido em grande escala em todo o mundo.”

FAUSTO, Boris. História do Brasil. SP: Edusp, 2004, p. 27-28.

Atividade 2

• Orientações: serão oferecidos abaixo um pequeno resumo sobre as diretrizes básicas das políticas mercantilistas, praticadas pelos Estados europeus entre os séculos XV e XVIII e dois outros textos, sendo um deles trecho da Carta de Pero Vaz de Caminha, 1500.

O professor pode pedir aos alunos que encontrem alguma relação entre o conteúdo do primeiro com os demais textos. No segundo, o mais interessante é que os alunos percebam que o tráfico de escravos se constituiu em um negócio – diga-se de passagem, bastante lucrativo, dado os monopólios régios – como outro qualquer e que era praticado com o mesmo objetivo de outros ramos do comércio internacional: obtenção de lucro. Quanto à carta, ela indica qual a matéria mais cobiçada pelos portugueses quando da chegada de suas esquadras aos territórios que hoje constituem o Brasil: os metais preciosos. Relações entre esta atividade e a anterior também são possíveis, visto que o comércio de especiarias está igualmente inserido no contexto de aplicação do Mercantilismo.

Texto 1

O Mercantilismo se caracterizava por uma série de práticas econômicas cujo objetivo era o enriquecimento e o fortalecimento. As diretrizes básicas eram:

I – o acúmulo de metais preciosos
II – balança comercial favorável
III – exploração colonial
IV – intervenção do Estado na economia

Texto 2

“Ouro e especiarias foram (...) bens sempre muito procurados nos séculos XV e XVI, mas havia outros, assim como peixe, a madeira, os corantes, as drogas medicinais e, pouco a pouco, um instrumento dotado de voz – os escravos africanos."

FAUSTO, Boris. História do Brasil. SP: Edusp, 2004, p. 28.

Texto 3

Carta de Pero Vaz de Caminha, 1500.
“[...] E hoje que é Sexta-feira, primeiro dia de maio, saímos em terra com nossa bandeira; e fomos desembarcar rio acima [...]. Até agora não podemos saber se há ouro nem prata nela, ou outra coisa de metal [...] Contudo a terra em si é de muitos bons ares, frescos e temperados [...] Em tal maneira é graciosa que, querendo a aproveitar-se há nela tudo, por causa das águas que tem!

In História 1, Col. Compacta. RICARDO/ ADHEMAR/ FLÁVIO (orgs.). BH: Ed. Lê, 1998, p. 62-63.

Atividade 3

O tráfico internacional de escravos da África para o Brasil ocorreu na segunda metade do século XVI, e desenvolveu-se no século XVIII, atingiu seu ápice por volta de 1845 até ser extinto em 1850. Foi, certamente, a maior migração forçada da História Mundial.

Desembarque estimado de africanos
no Brasil Séculos XVI-XVIII
Períodos 1531-1575 a 1771-1780
Períodos
No período
1531-1575
10000
1576-1600
40000
1601-1625
100000
1626-1650
100000
1651-1670
185000
1676-1700
175000
1701-1710
153700
1711-1720
139000
1721-1730
146300
1731-1740
166100
1741-1750
185100
1751-1760
169400
1761-1770
164600
1771-1780
161300
Total
1895500

Fonte: Brasil: 500 anos de povoamento. Rio de Janeiro.IBGE, 2000

Desembarque estimado de africanos
Qüinqüênios
 
Local de desembarque
 
Total
Sul daBahia
Bahia
Norte da Bahia
Total
2 113 900
1 314 900
409 000
390 000
1781-1785
(63 100)
34 800
...
28 300
1786-1790
97 800
44 800
20 300
32 700
1791-1795
125 000
47 600
34 300
43 100
1796-1800
108 700
45 100
36 200
27 400
1801-1805
117 900
50 100
36 300
31 500
1806-1810
123 500
58 300
39 100
26 100
1811-1815
139 400
78 700
36 400
24 300
1816-1820
188 300
95 700
34 300
58 300
1821-1825
181 200
120 100
23 700
37 400
1826-1830
250 200
176 100
47 900
26 200
1831-1835
93 700
57 800
16 700
19 200
1836-1840
240 600
202 800
15 800
22 000
1841-1845
120 900
90 800
21 100
9 000
1846-1850
257 500
208 900
45 000
3 600
1851-1855 (1)
6 100
3 300
1 900
900

 Fonte: Brasil: 500 anos de povoamento. Rio de Janeiro: IBGE, 2000.Apêndice: Estatística de 500 anos de povoamento. p. 223

Fonte: Brasil: 500 anos de povoamento. Rio de Janeiro: IBGE, 2000. Apêndice: Estatística de 500 anos de povoamento. p. 223

Para saber mais acesse o site:

http://www.ibge.gov.br/brasil500/index2.html


Orientação Pedagógica: Circuitos do tráfico de escravos; os circuitos comerciais de mercadorias; praças comerciais
Currículo Básico Comum - História Ensino Médio
Centro de Referência Virtual do Professor - SEE-MG/2008